
Há 50 anos que Hitler Cigarruista tem de dar explicações sobre o nome
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Há 50 anos, um pai decidiu que o nome mais apropriado para dar a um recém-nascido era Hitler. Esta decisão não era uma afirmação de apoio ao nazismo, mas a esperança que nascesse um "Hitler bom". Raciocínio interessante, mas na prática uma dor de cabeça para Hitler Cigarruista, jornalista do Panamá que teve de aprender a viver com esta peculiaridade.
Para além dos constrangimentos sociais fáceis de prever num primeiro contacto com um desconhecido - já se imaginou a chegar a um novo emprego e dizer "Olá, sou o Hitler"? -, Hitler tem um rol de histórias para contar sobre a curiosidade que o seu nome desperta. Esteve há pouco tempo no aniversário da embaixada de Israel no Panamá sem problemas e sempre disponível para esclarecer as dúvidas que surgem, apesar de reconhecer que viajar até ao país formado após o Holocausto seria "sensível". Mas há um outro problema, nas redes sociais, que acontece apenas pelo controlo que as redes sociais têm sobre a nossa vida.
Já a entrada na Alemanha foi um pouco mais curiosa. "A funcionária que estava na alfândega não queria acreditar. Chamou várias colegas, que me perguntaram se era mesmo verdade. Depois, carimbaram o meu passaporte e entrei". Já na escola do filho, usa o nome dele, Carlos, para se identificar e não ter de dar tantas explicações. Mas estes são casos cara a cara. Um dos grandes problemas do panamiano prende-se com os contactos na Internet.
"Não posso usar o meu nome nas redes", explica ao jornal "El Pais", num trabalho publicado este sábado. Apesar de ser uma pessoa muito ativa no Linkedin e Twitter, todos os cuidados são poucos na altura de registar o nome. Se, na primeira, os filtros que detetam nomes falsos ou expressões de ódio não viram problemas no seu nome, no Twitter, Cigarruista teve mais cuidado. O nome de utilizador é @hcigarruistac, apesar de na descrição constar Hitler. Mas, no Facebook, as coisas complicam-se, com a maior rede social do mundo a ser muito restritiva no que permite ou não permite usar no perfil. "Infelizmente o Facebook não me permite usar Hitler. Aceitei a situação e comecei a usar o nome do meu filho, Carlos", explicou ao jornal espanhol.
Até para criar uma simples conta no Gmail, este nome, que o pai escolheu e que foi aceite por um padre quando já tinha oito anos, é um entrave. Nunca o conseguiu fazer e quando precisou de falar por correio eletrónico com uma funcionária da Google (empresa que desenvolve o Gmail), por causa de um evento onde iria participar, nem ela lhe conseguia mandar mensagens de correio eletrónico. "Quando escrevo o seu nome no e-mail e o envio, ele volta. Não porque o seu endereço não existe, mas porque a palavra não pode ser usada. Diz-me que estou a fazer bullying consigo", explicou-lhe a funcionária da empresa norte-americana, quando finalmente encontrou Hitler em pessoa.
Cigarruista garante que o pai não batizou com este nome por apoiar de alguma forma o regime de terror na Alemanha. "O meu pai queria demonstrar que podia haver um Hitler bom", assegura, remetendo a escolha para uma certa falta de cultura e desconhecimentos dos horror Nazi que a Europa viveu na primeira metade do século XX. Os irmãos chamam-se Siria Araí e Andrés Avelino, pelo que Hitler tem a certeza que se fosse por algum tipo de apoio aos alemães daquela época eles também teria nomes germânicos.
No batismo, Hitler é o segundo nome. "José Hitler" é o que consta na certidão religiosa, mas o problema é que no registo civil não está José e mudar de nome em adulto seria um problemas grande para o jornalista, que dirge o jornal "Capital Financiero".
