A assessora de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Susan Rice, reconheceu, esta quarta-feira, num encontro com o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Luiz Alberto Figueiredo, as "legítimas questões" geradas pela alegada espionagem de Washington a Brasília.
"A assessora de Segurança Nacional transmitiu ao ministro Figueiredo que os Estados Unidos compreendem que as recentes revelações à imprensa, das quais algumas têm distorcido as nossas atividades e outras têm gerado questões legítimas pelos nossos amigos e aliados, (...) criaram tensões na muito estreita relação bilateral com o Brasil", afirmou Caitlin Hayden, porta-voz de Susan Rice, num comunicado, no final da reunião de ambos na Casa Branca.
Neste sentido, "os Estados Unidos comprometem-se em trabalhar com o Brasil para resolver estas preocupações, enquanto continuamos a trabalhar de forma conjunta numa agenda partilhada de iniciativas bilaterais, regionais e globais", aditou Caitlin Hayden, na mesma nota citada pela Efe.
Esta reunião surge como resultado do encontro privado mantido entre a Presidente do Brasil e o seu homólogo norte-americano, na semana passada, à margem da cimeira do G20 na cidade de São Petersburgo, na Rússia.
No final dessa reunião, Dilma Rousseff indicou que Barack Obama lhe transmitiu o seu compromisso de dar explicações sobre os casos de espionagem antes desta quarta-feira.
A porta-voz explicou que o encontro entre Rice e Figueiredo, realizada na tarde de quarta-feira, surgiu assim como "parte deste diálogo" e do compromisso manifestado pelo Presidente Obama de "trabalhar dentro dos canais diplomáticos para resolver estas preocupações".
A principal conselheira para a Segurança Nacional norte-americana insistiu ainda que "os Estados Unidos estão a levar a cabo uma ampla revisão das suas atividades de inteligência para garantir que são adequadamente projetadas" e de acordo com os interesses nacionais, nos quais se incluem as relações com aliados considerados chave.
"Os Estados Unidos e o Brasil desfrutam de uma forte e estratégica aliança baseadas nos nossos interesses comuns como democracias multiculturais e grandes economias", lê-se na mesma nota citada pela Efe.
Rousseff condicionou a visita de Estado que tinha programado realizar, no próximo dia 23 de outubro, a Washington precisamente para receber as explicações da Casa Branca.
A preocupação de Brasília assenta em documentos entregues pelo antigo analista da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos Edward Snowden ao jornalista Glenn Greenwald, colunista do diário britânico The Guardian, que reside no Rio de Janeiro, segundo os quais a agência de inteligência espiou as comunicações de Rousseff.
Além disso, no domingo, de acordo com mais uma série de documentos revelados da mesma forma, revelados pelo canal de televisão Globo, a empresa estatal brasileira Petrobras também foi alvo dos espiões norte-americanos.
Em paralelo, também esta quarta-feira, a Câmara dos Deputados do Brasil aprovou a viagem de uma comissão parlamentar a Moscovo para questionar Snowden sobre as atividades de espionagem a cidadãos e empresas brasileiras.
Edward Snowden, antigo analista informático da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos que revelou a existência de um programa de vigilância em massa de comunicações, obteve asilo temporário na Rússia a 01 de agosto, depois de ter passado mais de um mês na zona de trânsito do aeroporto moscovita de Sheremetievo.
