
Ruby Franke as os filhos, na altura em que gravavam para o canal "8 Passengers"
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Uma youtuber famosa por dar conselhos parentais nas redes sociais foi condenada no Utah, EUA, por maltratar os filhos. Agrediu e torturou as crianças, deixou-as passar fome e criou em casa um ambientes semelhante a um "campo de concentração".
Ruby Franke, de 42 anos, foi condenada a 30 anos de prisão por quatro crimes de abuso agravado de menores. A sua colega de trabalho, Jodi Hildebrandt, foi também condenada a uma pena semelhante. As suspeitas já tinham sido presas em agosto de 2023, quando um dos filhos de Franke fugiu pela cozinha de casa de Hildebrandt para pedir água e comida a um vizinho.
Dois dos filhos de Franke, na altura com nove e 11 anos, viviam num "ambiente semelhante a um campo de concentração", de acordo com o procurador do Utah, citado pela BBC. "As crianças eram privadas de comida, água, camas para dormir e praticamente todas as formas de entretenimento", acrescentou.
As crianças eram torturadas pela mãe e pela colega, que contam com um historial polémico de vídeos nas redes sociais. Ruby Franke criou o seu canal, chamado "8 Passengers" - em referência aos seis filhos e a ela e ao marido -, em 2015, numa altura em que os vídeos online sobre parentalidade estavam em crescimento.
O canal de YouTube mostrava, ao que parecia, uma típica família dos subúrbios a passar tempo de qualidade, desde refeições à escolarização em casa. No entanto, em 2020, alguns dos fãs começaram a ficar preocupados quando uma das crianças mencionou que tinha sido forçada a dormir num saco-cama durante sete meses.
A partir daí, várias pessoas começaram a prestar mais atenção aos vídeos e a reparar em métodos de parentalidade mais controversos, nomeadamente a retenção de refeições, a ameaça de cortar a cabeça de um animal de peluche ou o "cancelamento" do Natal, tudo formas de Franke castigar os filhos.
Fome e trabalho forçado
Após uma petição pública, Franke e o marido negaram as acusações e o canal de YouTube começou a perder visualizações. Foi eliminado em 2022, na mesma altura em que o casal se divorciou. Depois, a youtuber começou a participar nos vídeos de Jodi Hildebrandt no site "ConneXions Classroom", também sobre parentalidade.
As crianças, fora das filmagens, começaram a sofrer ainda mais. Segundo as autoridades, os filhos de Franke eram amarrados e agredidos. Ambas as suspeitas deixavam-nos passar fome e obrigavam-nos a trabalhar durante o verão, sem qualquer proteção solar, deixando que as crianças ficassem com queimaduras graves por excesso de sol.
Hildebrandt admitiu que torturava as crianças e que sabia dos abusos perpretados pela colega de trabalho. Contou ainda que obrigou uma das filhas de Franke a "atirar-se várias vezes para cima de um cato".
Franke lamentou os seus atos em tribunal e afirmou que foi "levada a acreditar que este mundo era um lugar mau, cheio de polícias que controlam, hospitais que magoam, agências governamentais que fazem lavagens cerebrais, líderes de igreja que mentem, maridos que se recusam a proteger e crianças que precisam de ser maltratadas". A mãe das crianças achava que elas estavam "possuídas" e precisavam de "arrepender-se".

