
Zelensky em Davos
Foto: Gian Ehrenzeller/EPA
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou esta quinta-feira, durante o Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça, uma cimeira trilateral com a Rússia e os Estados Unidos, a decorrer a partir de sexta-feira nos Emirados Árabes Unidos.
O líder ucraniano referiu que a iniciativa da cimeira partiu de Washington e que os encontros se vão prolongar no sábado e no domingo, apesar de não parecer certo de que os preparativos estejam confirmados.
"Espero que os Emirados estejam cientes disto. Por vezes, somos surpreendidos por estas situações vindas do lado americano", acrescentou Zelensky, quando respondia a perguntas dos jornalistas após o seu discurso no Fórum de Davos.
O presidente ucraniano reuniu-se esta manhã com o homólogo norte-americano, Donald Trump, na estância suíça antes de anunciar a cimeira trilateral, e não precisou o formato em que vão decorrer as reuniões, nem se haverá contactos diretos entre os negociadores de Kiev e de Moscovo.
"Acho que é bom que a um nível tático esta reunião esteja a começar", comentou Zelensky, para quem "é melhor ter reuniões do que não ter qualquer diálogo". O presidente ucraniano recomendou, porém, que "os russos precisam de estar preparados para encontrar soluções de compromisso", argumentando que "todos precisam de estar preparados, não apenas a Ucrânia".


Foto: Presidência da Ucrânia/EPA
"As garantias de segurança estão prontas"
A Ucrânia e os Estados Unidos chegaram a acordo sobre garantias de segurança às autoridades de Kiev após uma possível cessação das hostilidades com a Rússia. "As garantias de segurança estão prontas", anunciou o líder ucraniano aos jornalistas à margem do Fórum Económico Mundial. Segundo Zelensky, "o documento precisa ser assinado pelas partes, pelos presidentes, e depois será enviado para os parlamentos nacionais".
Por outro lado, referiu que ainda não há acordo sobre os territórios reivindicados por Moscovo no leste da Ucrânia. "Tudo gira em torno da parte oriental do nosso país. Tudo gira em torno dos territórios. Esse é o problema que ainda não resolvemos", indicou aos jornalistas.
"Reunimo-nos com o presidente Trump e as nossas equipas estão a trabalhar quase todos os dias. Não é simples. Os documentos que visam pôr fim a esta guerra estão quase, quase prontos", afirmou durante o seu discurso em Davos, observando que o diálogo com o líder da Casa Branca "não foi fácil".
Anteriormente, o enviado norte-americano, Steve Witkoff, indicara que viajará para os Emirados Árabes Unidos com Jared Kushner, genro de Trump, onde serão criados grupos de trabalho para tratar de questões militares e de "prosperidade", um tema que descreveu como "realmente importante" para o futuro.
Witkoff e Kushner encontram-se hoje na Rússia, onde têm prevista uma reunião com o presidente russo, Vladimir Putin.
Apesar dos esforços diplomáticos, Volodymyr Zelensky lamentou que o seu país continue a sofrer bombardeamentos diários contra civis e infraestruturas energéticas. Estes ataques obrigaram largos milhares de pessoas na Ucrânia a enfrentar sem aquecimento temperaturas negativas durante o atual inverno, que tem sido mais rigoroso do que o habitual.
A Ucrânia tem contado com ajuda financeira e em armamento dos aliados ocidentais desde que a Rússia invadiu o país, em 24 de fevereiro de 2022. Os aliados de Kiev também têm decretado sanções contra setores-chave da economia russa para tentar diminuir a capacidade de Moscovo de financiar o esforço de guerra na Ucrânia.
A guerra da Ucrânia tem sido considerada como o conflito do género mais grave na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
