Ucrânia

As perdas de um regimento de elite russo que prometia vitória

As perdas de um regimento de elite russo que prometia vitória

O 331.º Regimento de Paraquedistas de Guardas é uma divisão das tropas aerotransportadas russas, considerada uma das unidades de elite das Forças Armadas do país. Ou era, até a guerra na Ucrânia desintegrar a formação e deitar por terra as expectativas de sucesso imediato. As baixas acumulam-se.

Considerados o "crème de la crème" do exército de Putin, os homens do 331.º regimento eram um trunfo russo na invasão do território ucraniano, que já vai no 38.º dia de ofensiva. "Os melhores dos melhores", dizia um general num vídeo de maio passado, ainda a guerra não era sequer miragem. A unidade, escreve a BBC, serviu nos Balcãs, na Chechénia e na ofensiva russa de 2014 na região separatista de Donbass, na Ucrânia, além de ser presença assídua nos desfiles na Praça Vermelha, em Moscovo. Funcionou também como um laboratório para o poder político russo substituir soldados do serviço nacional pelos chamados "contraktniki", combatentes em regime de contrato.

Embora as informações sobre baixas russas não sejam amplamente divulgadas, uma recolha da BBC com base em dados de acesso público concluiu que pelo menos 40 elementos do regimento foram mortos. A começar pelo comandante da divisão, o coronel Sergei Sukharev, abatido em território ucraniano no passado dia 13 de março e que viria a receber postumamente a medalha de herói da Federação Russa. Nas cerimónias fúnebres, o vice-ministro da Defesa, Yuri Sadovenko, considerou que o coronel vivera para "um futuro sem nazismo" do povo russo.

A partir do início de março, começaram a circular online relatos de mortes no até então bem-aventurado regimento. Quando os funerais finalmente começaram - o processo de trasladação dos corpos para Kostroma, a comunidade russa onde a unidade está localizada, foi moroso -, o V'Kontakte (que é o equivalente russo do Facebook) encheu-se de memoriais e homenagens sentidas de familiares dos militares abatidos.

"Ninguém sabe de nada. O 331.º regimento está a desaparecer. Quase todos os dias, fotos dos nossos meninos de Kostroma são publicadas. Dá-me arrepios na espinha. O que é que está a acontecer? Quando é que isto vai acabar? Quando é que as pessoas vão parar de morrer?", questionava uma mulher numa publicação que dava conta da morte do sargento Sergei Duganov. E mais uma: "Kostroma perdeu tantos jovens, que tragédia". E mais outra: "Deus, quantas informações de morte mais é que vamos receber? Por favor, tenha misericórdia dos nossos meninos, ajude-os a sobreviver, devolva-os de volta para suas mulheres e mães".

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Além do coronel Sukharev, morreram outros 39 homens que integravam uma coluna militar que avançou para a Ucrânia a partir da Bielorrússia, liderada pelas tropas aerotransportadas russas, corpo de exército paraquedista de elite conhecido pelo acrónimo VDV e cuja prioridade de avançar para a capital foi rapidamente arrastada para um impasse destrutivo nos arredores de Kiev, ao longo das cidades de Bucha, Irpin e Hostomel, exemplos da crueldade da guerra. Vídeos dessas batalhas às portas da capital que foram surgindo online mostram veículos de combate das VDV com as letras "V" e "Z" pintadas - símbolos usados pelos russos - abandonados e danificados.

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