76 anos da libertação de Auschwitz

Centenas de sobreviventes do Holocausto foram hoje vacinados contra a covid-19

Centenas de sobreviventes do Holocausto foram hoje vacinados contra a covid-19

Centenas de sobreviventes do Holocausto na Áustria e Eslováquia foram esta quarta-feira incluídos no processo de vacinação contra o coronavírus, em reconhecimento do seu passado de sofrimento quando se celebram os 76 anos da libertação do campo de extermínio de Auschwitz.

"Devemos-lhes isto", disse Erica Jakubovits, que organiza o plano de vacinação na Comunidade judaica de Viena. "Sofreram numerosos traumas e sentiram-se ainda mais inseguros durante esta pandemia".

Mais de 400 sobreviventes austríacos, a maioria com mais de 80 anos, devem receber a primeira dose da vacina no maior centro de vacinação de Viena, instalado num centro de congressos da capital austríaca. Alguns foram transportados de autocarro ou ambulância, enquanto outros foram acompanhados pelos filhos.

Jakubovits organizou o plano de vacinação com o apoio do ministério da Saúde austríaco e responsáveis municipais da capital. Doze médicos, todos membros da Comunidade judaica vienense, disponibilizaram-se para vacinar os sobreviventes.

Apesar de ser organizado para decorrer no designado Dia Internacional de Memória das Vítimas do Holocausto, a vacinação não contemplou apenas os sobreviventes da Shoah, mas ainda todos os restantes judeus da área com mais de 85 anos.

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Alguns sobreviventes das cerca de oito mil pessoas que integram a comunidade judaica de Viena já foram vacinados em dezembro, em particular os residentes em lares de idosos.

No início desta semana, o presidente do Congresso judaico europeu (EJC) apelou a todos os países da União Europeia para que os sobreviventes do Holocausto tivessem acesso às vacinas do coronavírus o mais rapidamente possível.

Após mais de sete décadas desde o final da II Guerra Mundial, cerca de 240 mil vítimas que sobreviveram ao Holocausto vivos estão hoje com uma idade muito avançada. Muitos foram privados de uma alimentação própria quando eram jovens, e sofrem atualmente de diversas doenças. Para mais, muitos estão sozinhos e denunciam stress psicológico.

Mais de seis milhões judeus europeus foram mortos pelos nazis no decurso do Terceiro Reich. A larga maioria foi morta no campo da morte de Auschwitz, construído pelo regime nazi em território polaco, mas outros prisioneiros não judeus, incluindo polacos, Roma (ciganos), e soldados soviéticos também se encontram entre as vítimas deste antigo complexo.

Cerca de 192 mil judeus viviam na Áustria antes da II Guerra Mundial. Após a anexação da Áustria pela Alemanha nazi em 1938, apoiada entusiasticamente por muitos austríacos, mais de 100 mil judeus fugiram do país.

O EFC estima em cerca de 20 mil os sobreviventes do Holocausto que ainda vivem na União Europeia.

Num projeto semelhante ao de Viena, a comunidade judaica de Bratislava também deveria vacinar esta quarta-feira os sobreviventes. Cerca de 128 receberam esta quarta-feira a primeira dose no Centro da comunidade, e outros 330 ao longo do país devem ser vacinados nos próximos dias.

Em simultâneo, o Congresso mundial judaico também organizou esta quarta-feira um encontro virtual que juntou sobreviventes do Holocausto em vários países do mundo.

Outras instituições, incluindo o museu memorial Auschwitz-Birkenau na Polónia, o Yad Vashem em Israel e o Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos, em Washington, também planearam eventos online. Os Presidentes de Israel, Alemanha e Polónia incluem-se entre os que vão emitir uma mensagem de recordação e tributo.

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