Minsk

Cerca de 250 detenções em manifestação da oposição na Bielorrússia

Cerca de 250 detenções em manifestação da oposição na Bielorrússia

Cerca de 250 pessoas foram detidas em Minsk, na manifestação semanal da oposição, que contesta a reeleição considerada fraudulenta do Presidente Alexander Lukashenko, em agosto, anunciou o Ministério do Interior da Bielorrússia.

"Cerca de 250 pessoas foram detidas em diferentes partes da capital" por "usarem bandeiras e outros símbolos" da oposição e "placas com mensagens ofensivas", disse o Ministério do Interior num comunicado.

A porta-voz do Ministério Interior, Olga Tchemodanova disse à agência France-Presse (AFP) que "há detenções em curso".

Dezenas de milhares de manifestantes marcharam hoje em Minsk a pedido da oposição, uma mobilização que não enfraquece os protestos contra o Presidente Alexander Lukashenko, apesar da repressão e da polícia que fez cerca de 250 detenções.

A oposição que fez sair à rua da capital todos os fins de semana, desde a eleição presidencial em 09 de agosto, mais de 100.000 pessoas, mais uma vez enfrentou um destacamento massivo de forças de segurança, blindadas e com canhões de água, principalmente em frente à presidência, um dos locais de encontro.

Várias dezenas de milhares de pessoas foram visíveis no centro de Minsk, formando uma coluna de vários quilómetros de cumprimento, de acordo com a jornalista da AFP.

"Vim marchar pela liberdade e pretendo ir sempre marchar enquanto não a obtivermos por meios pacíficos", disse à AFP um dos manifestantes, Oleg Zimin, de 60 anos.

"Estamos prontos para caminhar até que a força mude, contando que possamos caminhar fisicamente. Nunca perdemos um domingo", acrescentam dois outros participantes, os irmãos Matvei e Zakhar Kravchenko, na casa dos vinte anos.

No fim de semana passado, mais de 600 pessoas foram presas durante o comício em Minsk e em outras cidades. Várias dezenas de mulheres que participaram de uma marcha feminina também foram brutalmente detidas no sábado.

Svetlana Tikhanovskaïa, candidata presidencial que reivindica vitória contra Lukashenko e que agora está exilada na Lituânia, saudou num vídeo "um povo verdadeiramente heroico" que continua a sua "luta pela liberdade".

A semana passada foi marcada pela incrível prisão de um de seus parentes, Maria Kolesnikova. Ela foi sequestrada por homens mascarados no dia seguinte à manifestação de 6 de setembro, após resistir aos agentes que tentavam exilá-la à força para a Ucrânia.

Ela está agora detida, acusada de "atentar a segurança nacional".

Apenas um elemento da liderança do "conselho de coordenação", criado pela oposição para negociar a transição ao poder, permanece na Bielorrússia, trata-se da Prémio Nobel da Literatura, em 2015, Svetlana Alexievich, que tem sido alvo de intimidação.

Apesar da escala de contestação, Lukashenko, no poder desde 1994, descartou qualquer compromisso significativo, citando apenas uma vaga reforma da Constituição por vir. Ele acusa o Ocidente de apoiar o protesto, voltando-se para Moscovo após meses de tensões bilaterais para manter o controlo sobre a Bielorrússia.

Milhares de pessoas foram presas desde o início do movimento e as acusações de tortura de presos multiplicaram-se.

A União Europeia e os Estados Unidos da América preveem sancionar os executivos do seu regime.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu na sexta-feira "um diálogo amplo e inclusivo" na Bielorrússia, que o Presidente se recusa a fazer.

A Rússia aumentou gradualmente o seu apoio a Lukashenko e Vladimir Putin chegou ao ponto de prometer uma intervenção local caso as manifestações degenerassem em violência.

Na segunda-feira, os dois responsáveis encontraram-se na Rússia, pela primeira vez, desde o início da crise.

Segundo os analistas, Moscovo procura monitorizar o seu apoio obtendo renúncias de soberania, com o objetivo de ancorar definitivamente a Bielorrússia dentro da sua esfera de influência e evitar a instalação de um governo pró-ocidental.

Depois de resistir à pressão de Moscovo por anos, Alexander Lukashenko mudou de posição, desde o início do protesto, apresentando-se como o último baluarte da Rússia face à ofensiva ocidental.

A Bielorrússia tem sido palco de várias manifestações desde 09 de agosto, quando Alexander Lukashenko conquistou um sexto mandato presidencial, numas eleições consideradas fraudulentas pela oposição e parte da comunidade internacional.

Nos primeiros dias de protestos, a polícia deteve cerca de 7.000 pessoas e reprimiu centenas de forma musculada, suscitando protestos internacionais e ameaça de sanções.

Os Estados Unidos, a União Europeia e diversos países vizinhos da Bielorrússia rejeitaram a recente vitória eleitoral de Lukashenko e condenaram a repressão policial, exortando Minsk a estabelecer um diálogo com a oposição.

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