Coronavírus

China admite transmissão de vírus misterioso entre pessoas

China admite transmissão de vírus misterioso entre pessoas

Afinal, o misterioso vírus que nasceu em Wuhan, na província chinesa do Hubei, transmite-se de pessoa para pessoa. E é a própria China que o confirma, depois de tê-lo negado desde o início do surto, que somou esta segunda-feira três mortes e 217 infetados oficialmente contabilizados - número, que, a crer em estudos de epidemiologia internacionais, estará muito aquém da realidade, atirada para mais 1700 infeções, podendo a maioria ser leves e passar despercebidas - e já longe do foco inicial.

A constatação, avançada pela Comissão Nacional de Saúde chinesa, surge na pior altura: meia China está a deslocar-se interna e externamente para celebrar o Novo Ano Lunar, dedicado ao rato, no próximo sábado, dia 25 (altura em que os profissionais de saúde também metem férias). A preocupação levou o presidente, Xi Jinping, a falar pela primeira vez do assunto, apelando ao controlo do novo vírus e ressalvando a prioridade da vida das pessoas. Do seu lado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) convocou para esta terça-feira uma reunião de avaliação do risco internacional do surto.

Dois casos de infeção entre humanos foram assinalados na província de Guangdong, antiga Cantão, que faz fronteira com Macau e Hong Kong, confirmou à CCTV Zong Nanshan, perito que comanda a equipa de investigação do surto, cuja origem parece ser o mercado de peixe de Huanan, onde se vendiam animais vivos, em Wuhan, e que era onde trabalhavam ou se abasteciam muitos primeiros infetados. Já a Organização Mundial da Saúde admitira a origem animal como a mais provável e contágios "limitados" entre pessoas. Agora, a agência da ONU atribui o exponencial aumento de casos em dois dias ao aumento de testes.

Má memória de 2003

Em causa está um coronavírus semelhante ao da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars, ou pneumonia atípica), que apareceu na China em 2002, foi mantida em segredo e acabou por matar 774 pessoas em todo o mundo, infetando 8096. Soube-se anos depois que uma colónia de morcegos da província do Yunnan foi a responsável pela epidemia.

Desta vez, o vírus - batizado de 2019-nCov - foi dado como restrito a Wuhan e controlado, com casos reportados fora da cidade (Hong Kong) e no estrangeiro (Japão e Tailândia), mas envolvendo pessoas que tinham viajado do Hubei. Esta segunda-feira, a Coreia do Sul confirmou o seu primeiro caso.

A notícia de transmissão entre pessoas em Guangdong soma-se à de três casos reportados em Pequim e Shenzen e suspeitos em Xangai e outras províncias, semanas depois de muitos estranharem o facto de não haver noutras cidades chinesas quem tenha viajado de Wuhan. "É difícil que todos estes casos tenham origem em animais do mesmo mercado", entretanto fechado, alerta Xi Chen, professor na Escola de Saúde Pública de Yale, citado pelo britânico "The Guardian".

O especialista atribui o atraso de diagnósticos oficiais ao preço dos testes e à falta de agilidade das autoridades: em Wuhan, cidade central que funciona como plataforma de articulação de transportes, os scanners de temperatura só foram instalados em 14 de janeiro, quando o primeiro caso data da primeira metade de dezembro.

Sintomas como os da pneumonia

Tosse, febre e dificuldades respiratórias são os primeiros sintomas da pneumonia causada pelos coronavírus. Não sendo bacteriana, a infeção não pode ser tratada com antibióticos. E é fatal, por enquanto, apenas em pessoas com saúde já debilitada. O receio é que o vírus se revele mais potente.

Mers, o outro coronavírus famoso

Provocou a Mers - síndrome respiratória do Médio Oriente - e matou 35% das 2500 pessoas que infetou, sendo mais letal do que a Sars de 2002/3 (10% de vítimas mortais). Apareceu em 2012 na Arábia Saudita, onde foi encontrado em dromedários.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG