Austrália

Chocolate com 120 anos encontrado no espólio do poeta Banjo Paterson

Chocolate com 120 anos encontrado no espólio do poeta Banjo Paterson

É uma história digna desta quadra. No espólio do poeta australiano Andrew Barton "Banjo" Paterson, que a Biblioteca Nacional da Austrália adquiriu recentemente, foi encontrada uma caixa de chocolates com 120 anos.

Dentro de uma pequena lata datada de 1900 e envolta ainda em vestígios de palha e papel de alumínio, a barra com seis retângulos de chocolate resistiu no tempo e encontra-se surpreendentemente bem preservada.

"O chocolate está em bom estado", diz Shirleene Robinson à BBC. "É um dos mais bem preservados chocolates desta idade", acrescenta a historiadora da Biblioteca da Austrália.

O chocolate da marca Cadbury faz parte de uma oferta da rainha Vitória às tropas britânicas em combate na guerra Boer, um conflito entre o Império Britânico e as duas nações Boer pelo domínio da África do Sul. Tinha como objetivo dar-lhes algum conforto no virar do século.

Foi em África do Sul que o poeta Banjo Paterson teve acesso à caixa de chocolates que trazia inscritas as frases "África do Sul 1900" e "desejo-lhe um Feliz Ano Novo, Victoria RI". O escritor e jornalista tinha sido enviado para aquele território em outubro de 1899 como correspondente de guerra para os jornais australianos Sydney Morning Herald e The Age.

As caixas de chocolate eram muito procuradas na frente de guerra e chegaram a custar 20 libras cada uma, especulando-se que terá sido assim que Banjo Paterson chegou a elas, por compra ou troca.

Ao canal "ABC", a britânica Cadbury explica como os chocolates se mantêm preservados até hoje. Na encomenda inicial do Palácio de Buckingham, de 70 mil a 80 mil libras de latas de cacau para os soldados, era pedido que o cacau fosse "transformado numa pasta e adoçado, pronto para ser usado nas duras condições do campo de batalha".

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Era ainda pedido que as latas fossem especialmente feitas para a ocasião e decoradas, atesta um memorando interno da Cadbury. Mais tarde a encomenda foi alterada de latas de cacau para barras de chocolate.

A encomenda, paga do bolso da rainha, foi inicialmente recusada pelos donos da Cadbury, que se opunham à guerra e não queriam ser associados a ela. Contudo, a monarca insistiu no pedido, defendendo que as suas tropas mereciam receber chocolate britânico de "boa qualidade" e a empresa acabou por ceder doando o chocolate e cobrando apenas a lata.

A caixa de chocolate de 1900 e recortes de jornais da época de Paterson como correspondente de guerra foram mantidos na família até ao ano passado, quando foram adquiridos pela Biblioteca Nacional da Austrália. Os papéis vão ser digitalizados. Já os chocolates vão ficar guardados num local fresco e seco.

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