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Chuvas fortes engolem um terço do Paquistão

Chuvas fortes engolem um terço do Paquistão

Há dois meses que as cheias devastam o país, causando mais de mil vítimas mortais (centenas das quais crianças) e levando o Governo a declarar estado de emergência na sexta-feira. Um terço do país encontra-se, neste momento, submerso. São as piores inundações desde 2010, e as piores chuvas das monções das últimas três décadas. E espera-se que a situação continue a agravar-se devido à persistência de precipitação forte. António Guterres visita o país na próxima semana.

De acordo com um boletim divulgado na segunda-feira pela Autoridade Nacional de Gestão de Desastres (NDMA), já morreram 1136 pessoas nas cheias, a somar a pelo menos 1634 feridos. As regiões mais afetadas são Sindh, Jaiber Pakhtunjuá e Baluchistão, com 402, 258 e 244 mortes, respetivamente. Esta é uma contagem provisória, tendo em conta que muitas zonas ainda se encontram completamente inundadas ou até submersas.

No total, estima-se que mais de 33 milhões de pessoas tenham sido afetadas, direta ou indiretamente, pelo temporal. As autoridades calculam que mais de um milhão de casas tenha sofrido algum tipo de dano, incluindo mais de 300 mil completamente arrasadas. Há, também, a registar 162 pontes destruídas, quase 3500 quilómetros de estradas danificadas e mais de 735 mil cabeças de gado perdidas.

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ONU lança apelo de 160 milhões de dólares

O Paquistão vai precisar de mais de 10 mil milhões de dólares (o equivalente em euros) para reparar os danos causados pelas inundações e reconstruir infraestruturas, disse esta terça-feira o ministro do Planeamento e Desenvolvimento do país. "Foram causados danos maciços às infraestruturas, especialmente nos setores das telecomunicações, estradas, na agricultura e nos meios de subsistência", disse Ahsan Iqbal à agência de notícias francesa AFP.

Também o secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, pediu esta terça-feira apoio financeiro internacional urgente para garantir "alimentos, água, saneamento, educação de emergência, proteção e apoio à saúde" a 5,2 milhões de pessoas. Para socorro imediato da população mais afetada, as Nações Unidas lançaram um apelo de 160 milhões de dólares. Na segunda-feira, já tinham sido mobilizados cerca de sete.

Esta terça-feira decorreu uma conferência da ONU, em Genebra, com o coordenador humanitário no Paquistão, Julien Harneis - na sequência da qual foi anunciada a visita de António Guterres ao Paquistão na próxima semana.

De acordo com o porta-voz do secretário-geral, Stéphane Dujarric, Guterres vai chegar a Islamabad, a capital, no dia 9 de setembro, de onde partirá para as áreas mais afetadas. "O secretário-geral irá reunir-se com famílias deslocadas e também testemunhará como estamos a trabalhar, em colaboração com os nossos parceiros humanitários, para apoiar os esforços de socorro do Governo e fornecer assistência a milhões de pessoas", acrescentou.

O secretário-geral da ONU aludiu, anteriormente, ao papel das alterações climáticas em desastres naturais como este: "Enquanto continuamos a assistir a cada vez mais eventos climáticos extremos em todo o mundo, é uma afronta que a ação climática esteja a ser colocada em segundo plano e as emissões de gases de efeito estufa continuem a aumentar, colocando todos nós - em todos os lugares - em perigo crescente".

No domingo, o país reiterou um pedido de apoio internacional. "Alguns países prometeram ajuda e ela está a chegar-nos, mas precisamos de mais ajuda para apoiar milhões de pessoas afetadas pelas cheias", disse na altura Ahsan Iqbal à agência de notícias Efe. Os Estados Unidos da América, o Reino Unido, a China e os Emirados Árabes Unidos são algumas das nações que já responderam ao apelo.

A época das monções, entre julho e setembro, é habitualmente a mais chuvosa no Paquistão. Os característicos ventos sazonais, associados à alternância entre a estação das chuvas e seca, são essenciais para a irrigação de culturas e reconstituição dos recursos hídricos do subcontinente indiano. Porém, o país tem vivido chuvas sem precedentes, que quase triplicam os valores médios sazonais.

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