Estudo

Cidades mais rápidas a agir salvaram mais vidas e mais emprego

Cidades mais rápidas a agir salvaram mais vidas e mais emprego

Lição da gripe pneumónica de 1918 nos EUA: imposição de quarentena e distanciamento social foram boas para a saúde pública e a economia.

As cidades norte-americanas que tomaram mais rapidamente medidas - como o isolamento e o encerramento de estabelecimentos - contra a gripe pneumónica de 1918-20, que infetou 500 milhões de pessoas e matou 50 milhões em todo o Mundo, registaram taxas de mortalidade mais baixas e recuperaram mais rapidamente a sua economia e emprego.

Estas são as duas principais conclusões de um estudo acabado de publicar por três economistas da Reserva Federal norte-americana, da Reserva de Nova Iorque e do Instituto de Tecnologia do Massachusetts, com o significativo título "As pandemias deprimem a economia, as intervenções de saúde pública não: evidências de gripe de 1918".

No estudo, os economistas Sérgio Correia, Stephan Luck e Emil Verner analisam as respostas à pandemia em 43 cidades dos EUA, país onde a doença causou entre 550 mil e 675 mil mortos, a velocidade a que foram tomadas, as taxas de mortalidade e as taxas de recuperação da atividade industrial e do emprego.

"Efeito estruturante"

As respostas incluíram medidas como o distanciamento entre as pessoas - um "impacto" que, há dias, o geógrafo Freddy Vinet, da Universidade Paul Valéry, de Montpellier, comentou à Agência France Presse como um dos elementos do "efeito estruturante na história da saúde" produzido pela crise pneumónica de há 102 anos.

As "intervenções não farmacológicas" (NPI, no acrónimo em Inglês) aplicadas pelas autoridades compreendiam também o encerramento de escolas, teatros e igrejas, interdição de reuniões públicas e funerais, a imposição de quarentena para casos suspeitos, restrições de horário a atividades económicas, uso obrigatório de máscaras e medidas públicas de higiene e desinfeção.

Quanto mais rapidamente aplicaram as NPI, menos mortes ocorreram. Por exemplo, Saint Louis, no estado do Missouri, cujas autoridades as impuseram um dia depois da aceleração da mortalidade, fazendo-as vigorar por 143 dias, a taxa de mortalidade de 1918 (336,5 por 100 mil habitantes) foi uma das mais baixas dos EUA, e bastante mais baixa do que a de Filadélfia (932,5), que demorou oito dias a reagir e apenas por 51 dias.

A rapidez também foi importante para mitigar os efeitos económicos, salientam os autores do estudo. Nos casos em que foi possível reagir dez dias antes da chegada da pandemia, a taxa de aumento do emprego foi superior em 5% depois da pandemia. Com 50 dias acima da média da duração, o crescimento foi de mais 6,5%.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG