Cumbre Vieja

Colapso do vulcão espalha destruição por La Palma

Colapso do vulcão espalha destruição por La Palma

Desabamento do flanco norte do cone soltou novos rios de lava pela ilha das Canárias. População passou últimas 48 horas em sobressalto, com vários sismos e explosões.

O vulcão de La Palma, nas Canárias, está em erupção há 22 dias, ainda sem sinal de abrandamento da destruição que desassossega a ilha. O desabamento do flanco norte do cone vulcânico soltou uma gigantesca massa de lava a 1240 graus Celsius, a uma velocidade de 700 metros por hora, com blocos do tamanho de um prédio de três andares a correrem ao longo da ilha. No sábado, os poucos edifícios que ainda restavam a norte da localidade de Todoque foram destruídos.

As últimas 24 horas foram de tensão em La Palma, não só devido ao desabamento, mas também porque o vulcão mostrou-se particularmente ativo, durante a madrugada e a manhã. "Foi uma noite dura", reconheceu Miguel Ángel Morcuende, porta-voz do Plano de Emergências Vulcânicas das Canárias, apelando à calma da população. De acordo com a associação "Vulcões das Canárias", o Cumbre Vieja passou por uma fase de explosões "muito ruidosas e enérgicas", que provocaram "vibrações no solo, nos veículos e nos vidros", sentidas num raio de até seis quilómetros a partir do cone.

214 sismos em dois dias
O Instituto Nacional Geográfico registou 214 sismos na zona afetada pela reativação do vulcão, em apenas 48 horas, 19 dos quais sentidos pela população. A amplitude média do tremor vulcânico permanece estável e a altura da coluna de gás e cinzas é de 3500 metros, mostrando uma ligeira descida da nuvem eruptiva.

O rio de lava expelido pelo vulcão Cumbre Vieja cobre mais de 500 hectares, destruiu um total de 1186 edifícios e uma zona industrial, de acordo com o sistema de satélites europeu Copérnico, noticiou a agência espanhola EFE. Números ilustrados pelas imagens impressionantes do colapso do lado norte do cone, publicadas pelo Instituto Vulcanológico das Ilhas Canárias (Involcan) nas redes sociais.

Dois dos fluxos de lava foram travados e estão a ser estudadas formas para conter o terceiro, explicou Miguel Ángel Morcuende ao jornal espanhol "El Pais".

A Unidade de Emergência Militar está a monitorizar os fluxos de lava, garantiu o comandante Ángel Luis Fernández, chefe de operações daquela unidade, citado pela EFE. Os movimentos sísmicos são constantemente monitorizados e não há, para já, medo de novas erupções, embora exista um plano de contingência em vigor, reforçou.

A erupção obrigou à retirada de mais de seis mil pessoas das zonas afetadas e provocou sérios danos no cultivo de banana e no setor do turismo, duas das principais fontes de receitas da ilha, onde vivem cerca de 85 mil pessoas.

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As autoridades de La Palma disseram ontem que os residentes com propriedades fora do perímetro de segurança serão autorizados a entrar para recolher roupas e pertences.

*Com agências

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