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Com um planeta em guerra, há um "farol de esperança" no Espaço

Com um planeta em guerra, há um "farol de esperança" no Espaço

É num período conflituoso no Mundo que a astronauta italiana Samantha Cristoforetti vai partir para o Espaço para se juntar aos seus companheiros na Estação Espacial Internacional (EEI), alguns deles russos. A dias de iniciar a viagem, prevista para dia 21 de abril, falou com a imprensa sobre a missão e a sua vida enquanto astronauta.

Já não falta muito para Samantha Cristoforetti, astronauta italiana da Agência Espacial Europeia (ESA), sair para a segunda missão na Estação Espacial Internacional. Vai partir ainda este mês com três astronautas da NASA, a chamada tripulação 4.

A missão, de nome Minerva, inspirada na deusa da mitologia romana de mesmo nome, vai durar cerca de cinco meses e durante esse período vão ser realizadas muitas experiências em órbita. Atualmente em quarentena, Samantha Cristoforetti falou aos jornalistas sobre a missão, mas também sobre a vida enquanto astronauta.

A situação de guerra atual foi um dos tópicos abordados. Na Estação Espacial Internacional (EEI), estão alguns cosmonautas russos, que vão trabalhar em conjunto com a tripulação 4, na expedição 67. Na conferência, a astronauta italiana garantiu que os colegas astronautas no espaço estão a "trabalhar absolutamente bem e eles continuam a ser não só colegas, mas bons amigos".

"Obviamente, reconhecemos que está a acontecer um conflito no solo e muitos de nós estamos devastados pelo que vemos diariamente, mas também sabemos que temos a responsabilidade de manter as atividades na Estação Espacial em andamento e temos de nos focar na missão", assevera.

A astronauta da ESA não deixa de mostrar que, para ela, a Estação Espacial Internacional é um "farol de esperança, de paz, e de compreensão internacional" e, por isso, apesar da situação que se vive, é importante olhar para o que os une. "Quando temos uma missão a cumprir, temos de nos concentrar no que temos em comum e não no que nos divide", afirma Samantha Cristoforetti.

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Regressar à ISS é "especial" e agora a viagem vai ser mais confortável

A missão vai ser a segunda experiência da astronauta de 44 anos na EEI. A primeira foi em 2014. Se a primeira vez é distinta, Cristoforetti refere que também "há algo especial em fazer alguma coisa pela segunda vez", porque já não há uma sobrecarga de "emoções". Como já esteve numa situação parecida, agora dá para abrandar a mente e realmente "apreciar a experiência".

Ainda que com algumas parecenças, a viagem vai ter algumas mudanças. Na primeira missão, Samantha Cristoforetti viajou na cápsula Soyuz; agora, vai partir para a ISS na Dragon, uma nave da empresa norte-americana SpaceX. Na Dragon, há "muito mais espaço" e "os assentos são muito maiores", afirma a astronauta. Características que considera uma vantagem, porque a viagem para a ISS vai "demorar um pouco mais" do que a da missão anterior.

Na missão, a astronauta italiana vai conduzir experiências científicas em áreas como a ciência de materiais, tecnologias de saúde e ciência das plantas. Há também a possibilidade de realizar uma caminhada espacial com um cosmonauta russo, mas não há certezas. Quanto ao braço robótico europeu, um dispositivo que pode ajudar a instalar, implantar e substituir elementos no Espaço, Samantha Cristoforetti afirmou não ter sido "pessoalmente treinada" para operá-lo, como tinha sido na primeira missão, e que a utilização do dispositivo deve recair sobre os "cosmonautas russos, que foram treinados para operar o braço".

Voar pode (e deve) ser para todos

Está, neste momento, em curso, um processo de candidaturas para astronauta, na ESA. Em paralelo, está a ser levado a cabo um projeto denominado de "Parastronaut feasibility", que envolve selecionar "pelo menos uma pessoa que está totalmente qualificada para ser astronauta, de acordo com todos os critérios normais usados para seleção, mas que, por acaso, tem uma deficiência física", como afirma David Parker, diretor da exploração humana e robótica da ESA, também presente na conferência de imprensa.

Com a seleção de candidatos com deficiências físicas, a ESA pretende mostrar que "o voo espacial é realmente algo para todos e tem a ver com todos os membros da sociedade", diz David Parker, assegurando que "este é um projeto muito fundamental para o futuro".

Samantha Cristoforetti, que afirma não ter tido "um momento" em particular que a fez ver que a astronomia era o seu sonho, também falou sobre uma possível ida à lua, no futuro. "Há sempre esperança", afirma, mas não esconde que também é preciso "deixar espaço para os mais jovens", para que possam viver esta oportunidade.

A importância da união, tanto na Terra como no espaço

Com todas as experiências e pesquisas que tem de realizar na Estação Espacial Internacional, o objetivo de Cristoforetti passa, todavia, por conseguir trabalhar bem em equipa e manter um ambiente "feliz" no espaço. "Este é um ambiente muito dinâmico e há muito pouco que depende diretamente de nós. Portanto, o que podemos fazer, como tripulantes, é dar o nosso melhor e trabalhar sem problemas como equipa. Esse é o meu objetivo e se o conseguirmos ficarei muito feliz com o meu regresso", garante.

O retorno da tripulação 4 ao solo terrestre está previsto para o início de setembro. São meses longe de casa, da família e da "vida comum". A italiana assevera que a melhor maneira de os astronautas se prepararem para estarem tanto tempo longe de tudo e de todos é "ter um parceiro muito bom". "Como astronautas, somos todos muito gratos às nossas famílias, aos nossos conjugues, que têm de cuidar da casa enquanto estamos a cumprir o nosso grande sonho", conclui Cristoforetti.

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