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Contágios propositados em "festas covid" preocupam Itália

Contágios propositados em "festas covid" preocupam Itália

O contágio propositado de covid-19, já verificado noutros países da Europa, chegou a Itália, onde as autoridades se mantêm alerta.

As autoridades de Bolzano, província no norte de Itália, estão a investigar as chamadas "festas covid", eventos cada vez mais populares entre jovens que, em vez de se vacinarem, preferem contagiar-se com covid-19 para obterem o certificado digital, obrigatório no país, tanto para atividades de lazer como para ir trabalhar.

Na prática, são festas privadas e ilegais que juntam participantes infetados (pelo menos um) e participantes que querem ser infetados. Popularizaram-se na região de Alto Adige, que tem dos números mais altos de contágios no país inteiro e onde a vacinação conta com uma oposição forte, sobretudo entre a comunidade de língua alemã, assinala a imprensa do país. No seio dos vários grupos anti-vacinas, proliferam pedidos de infeção propositada. Sim, leu bem, os anúncios insólitos não deixam margem para dúvidas. "Procura-se infetado com covid-19", escrevem centenas de cidadãos, maioritariamente jovens. Há mesmo quem esteja disposto a pagar o serviço, justificando-se com a necessidade de trabalhar.

Estas "festas covid" já causaram a hospitalização de pelo menos três pessoas, duas das quais estão atualmente em unidades de cuidados intensivos, o que motivou a Procuradoria de Bolzano a abrir formalmente uma investigação, segundo avançou a estação televisiva "skytg24". E o poder local está a estudar a implementação de novas medidas restritivas, no sentido de tentar conter o aumento dos casos de coronavírus, o aumento das hospitalizações e a ainda baixa percentagem de imunizações.

"Num local fechado e com uma pessoa positiva com a variante Delta, podem infetar-se facilmente entre cinco e dez pessoas numa noite", alertou o vice-coordenador da unidade que coordena a gestão da pandemia em Bolzano. "Estamos a falar sobretudo de jovens que, preocupados pelas possíveis restrições para quem não tem o certificado digital, tentam assim conseguir a imunização", acrescentou Patrick Franzoni, em declarações à imprensa da região, lamentando que esteja a circular a ideia de que a imunização forçada não comporta riscos e que muitas pessoas estejam convencidas "de que é só uma gripe", não receando as "consequências a longo prazo" que podem enfrentar.

De acordo com o responsável, a prática, verificada também na Alemanha e na Áustria, chega a envolver crianças, cujos pais anti-vacinas querem juntar os filhos a pessoas infetadas para que estes se contagiem e imunizem.

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