Estudo

Covid-19 pode perder 90% da capacidade de infetar ao fim de 20 minutos no ar

Covid-19 pode perder 90% da capacidade de infetar ao fim de 20 minutos no ar

Um estudo preliminar da Universidade de Bristol, no Reino Unido, concluiu que o SARS-CoV-2 perde 90% da sua capacidade de infetar outras pessoas depois de 20 minutos no ar. A investigação, que ainda carece de revisão pelos pares, confirmou também que a transmissão do vírus acontece, por norma, a curta distância, reafirmando a importância do distanciamento social e do uso da máscara como medidas de prevenção.

O estudo publicado na segunda-feira, no site MedRxiv, indica que a infecciosidade do coronavírus diminui drasticamente, cerca de 90%, ao fim de 20 minutos no ar. Segundo a investigação, a sobrevivência do vírus depende mais da humidade do que da temperatura.

As partículas que saem dos pulmões, um ambiente húmido e rico em dióxido de carbono, perdem rapidamente água e secam. Ao mesmo tempo transitam para um ambiente menos saturado em CO2 e menos favorável à sua sobrevivência. Assim sendo, a velocidade a que as partículas secam depende da humidade do espaço onde a pessoa se encontra.

Ou seja, num ambiente onde a humidade ronda os 90% (como numa sauna por exemplo), 52% das partículas permanecem infecciosas após os primeiros cinco minutos. Mas se tivermos em consideração um ambiente onde a humidade é de 50%, (num escritório) o vírus tende a perder metade da sua infecciosidade nos primeiros cinco segundos, valor que desce de forma gradual nos cinco minutos seguintes.

"As pessoas têm-se focado nos espaços mal ventilados e pensado na transmissão pelo ar como algo que acontece a metros de distância de uma ponta para a outra de uma divisão. Não digo que isso não aconteça, mas penso que o maior risco de exposição é quando estamos próximos de alguém", disse o investigador Jonathan Reid, o autor principal do estudo, ao "The Guardian".

As conclusões deste estudo reforçam ainda a importância do distanciamento social e do uso da máscara como as medidas mais eficazes para travar o contágio, defendendo que o vírus se transmite facilmente quando estamos próximos de alguém. No entanto, sem negar a importância do devido arejamento dos espaços para ajudar a combater a propagação do vírus.

Os resultados, que ainda não foram aprovados pelos pares, apoiam o que os epidemiologistas têm observado no terreno, admitiu Julian Tang, virologista da Universidade de Leicester, ao "The Guardian", acrescentando que "as máscaras são muito eficazes, bem como o distanciamento social".

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