Covid-19

Desconfinar: um rol de estratégias à medida de cada um

Desconfinar: um rol de estratégias à medida de cada um

A Europa começa a deixar para trás a tempestade provocada pelo coronavírus e a olhar para o futuro. Cada país desenha o seu plano para desconfinar as populações e relançar a economia, ainda que com receios de uma reversão no caminho percorrido.

A Organização Mundial da Saúde advertiu já que um levantamento precipitado das restrições pode ter um maior impacto na economia.

Miúdos e desporto antecipam fim

As crianças trouxeram novamente alegria às ruas do país vizinho depois de seis semanas de confinamento restrito. Desde domingo, seis milhões de petizes com menos de 14 anos podem sair à rua uma hora por dia, com um adulto, num perímetro não superior a um quilómetro de casa. Foi o primeiro passo para a desescalada do confinamento que continua obrigatório até 9 de maio.

O primeiro-ministro anunciou já que, se o país mantiver resultados positivos, permitirá a prática de desporto individual na rua. Hoje, Pedro Sánchez apresentará no Parlamento um plano para o desconfinamento que será "gradual e assimétrico" ao longo dos meses de maio e junho. As medidas, ainda por definir, serão as mesmas em todo o território, mas adotadas a diferentes velocidades nas comunidades autónomas.

Aprender a viver com o vírus

Itália prepara-se para conviver com o SARS-CoV-2 na segunda fase da luta contra a epidemia. Desde ontem, deixou de cobrar IVA nas máscaras, que passam a ter um preço máximo de 50 cêntimos por unidade.

Os italianos já conhecem as datas da desescalada até poderem saborear finalmente a liberdade. A partir da primeira, 4 de maio, poderão fazer desporto em parques e jardins, até agora encerrados, e visitar familiares. Além disso, a indústria e a construção retomarão a atividade e aumentar-se-á o número máximo de pessoas por funeral para 15.

No entanto, as restrições continuarão. Os italianos vão precisar da declaração para os deslocamentos e não se poderá sair à rua com uma temperatura corporal superior a 37,5 graus.

Segundo o primeiro-ministro, Giuseppe Conte, os comércios, museus e bibliotecas não abrirão até à segunda fase, que arranca em 18 de maio, dia em que são retomados os treinos desportivos profissionais. Se a situação continuar sob controlo, bares, restaurantes e estabelecimentos de higiene pessoal voltarão a abrir portas no dia 1 de junho. Só não há datas, ainda, para os cultos religiosos.

Aulas só com autorização

O levantamento progressivo da quarentena arranca em França no dia 11 de maio, com um regresso dos alunos às escolas mediante autorização parental. O Governo dirigido por Emannuel Macron quer impor a obrigatoriedade do uso de máscara nos transportes públicos e incentiva as Câmaras Municipais a comprá-las em massa. A estratégia nacional para o plano de desconfinamento será divulgada no dia 9 de maio e deverá ser adaptada a cada região.

Prudência e civismo

Os países nórdicos parecem levar a vantagem nesta corrida para alcançar a "nova normalidade". Há mais de dez dias que as aulas presenciais do 1.o e 2.ociclo foram retomadas na Dinamarca e os cidadãos podem ir ao cabeleireiro ou fazer uma tatuagem. A primeira-ministra, Mette Frederiksen, relaxa o confinamento a cada dia, mas não quer adiantar-se na tomada de decisões e não abrirá restaurantes nem centros comerciais até ao dia 10 de maio.

As creches também estão abertas na Noruega, onde tampouco fechou o pequeno comércio. O Governo de Erna Solberg quer copiar a estratégia da Islândia, que realizou testes em massa de forma gratuita e fazer 20 mil testes diários.

Do outro lado encontra-se a Suécia, que não chegou a decretar o estado de emergência, apostando no civismo da população e no natural distanciamento nórdico. Assim, o teletrabalho é só uma recomendação, as reuniões de menos de 50 pessoas são permitidas e bares e restaurantes continuam abertos. Mas já há advertências por desrespeito do distanciamento social.

Modelo checo para a economia

Depois de superar pessoalmente a Covid-19, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, regressou ao trabalho para afirmar ser ainda demasiado cedo para relaxar o confinamento. No início, recorde-se, incentivara os britânicos a manter a vida normal, apostando na imunização geral. Agora, diz ser preciso evitar uma segunda vaga de infeções.

O Reino Unido ainda não traçou um mapa do desconfinamento, por divisão interna quanto à reativação da economia, mas estuda o modelo da República Checa, primeiro país a levantar restrições e onde, à exceção dos restaurantes, bares e estabelecimentos de beleza, está tudo a funcionar.

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