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Dezenas de civis mortos e pelo menos 60 desaparecidos em Palma

Dezenas de civis mortos e pelo menos 60 desaparecidos em Palma


Pelo menos 60 pessoas, na maioria estrangeiros, estão desaparecidas desde que os militantes islamitas atacaram uma coluna de viaturas civis que fugia dos confrontos armados em Palma. Governo confirma dezenas de mortos.

Segundo as gravações das Forças de Segurança (FDS), a que o jornal britânico "The Guardian" teve acesso, e que descrevem o que aconteceu após o ataque a Palma, apenas sete dos 17 veículos da coluna que fugiu da cidade, conseguiram chegar a uma zona segura na sexta-feira.

Todos os que viajavam nos outros veículos estão presumivelmente mortos, diz aquele jornal britânico. Não foi possível perceber, ainda, se estas eventuais vítimas mortais estão incluídas entre as dezenas de mortos confirmados, este domingo, pelo Ministério da Defesa moçambicano.

"Um grupo de terroristas penetrou, dissimuladamente, na vila sede do distrito de Palma e desencadeou ações que culminaram com o assassinato cobarde de dezenas de pessoas indefesas e danos materiais em algumas infraestruturas do Governo", afirmou Omar Saranga, porta-voz do Ministério da Defesa Nacional de Moçambique.

Omar Saranga fez o rescaldo dos ataques a Palma, iniciados na quarta-feira, num comunicado de imprensa que leu aos jornalistas, em Maputo, sem direito a perguntas.

"As FDS registaram com pesar a perda de sete vidas de um grupo de cidadãos que se precipitou numa coluna de viaturas saída do Hotel Amarula, que foi emboscada pelos terroristas", declarou.

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O ataque desencadeado na quarta-feira em Palma é o mais grave junto aos projetos de gás que estão em desenvolvimento na região, após três anos e meio de insurgência armada na zona.

Um número incalculado de pessoas está desde então a fugir para a península de Afungi. Um grupo mais restrito, de cerca de 200 cidadãos de diferentes nacionalidades, refugiou-se no hotel Amarula, de onde muitos foram sendo resgatados por terra e mar para a área controlada pela petrolífera Total.

Uma das caravanas foi atacada na noite de sexta-feira e pelo menos sete pessoas morreram. Houve ainda feridos no incidente e um deles é um português hoje transferido para a África do Sul, para tratamento médico, conforme confirmaram as autoridades portuguesas.

Esta caravana, segundo o "The Guardian" terá sido atacada pelos insurgentes, temendo-se que o total de vítimas seja maior do que o revelado pelo governo de Moçambique.

Segundo o ministro, as FDS reforçaram a "estratégia operacional" para conter as investidas dos atacantes e repor a normalidade em Palma, tendo nos últimos três dias executado ações focadas no resgate de centenas de pessoas, nacionais e estrangeiros, e na proteção de cidadãos e seus bens.

"Neste momento, as FDS continuam a clarificar as zonas de Palma por forma a garantir um regresso seguro das populações. As posições das FDS estão todas sob seu controlo", destacou Omar Saranga.

O Ministério da Defesa Nacional de Moçambique avançou que as forças moçambicanas conseguiram retirar centenas de pessoas, nacionais e estrangeiros, tendo evitado também que infraestruturas e bens fossem vandalizados.

As FDS, continuou, mantêm a perseguição aos atacantes, visando eliminar "algumas bolsas de resistência" e evitar o regresso dos "terroristas" a Palma.

O porta-voz do Ministério da Defesa não disse se as forças governamentais retomaram o controlo efetivo de Palma e se os atacantes continuam na vila.

"O objetivo claro desta incursão cobarde por parte dos terroristas era o de aterrorizar as populações da vila sede do distrito de Palma e ameaçar o desenvolvimento de infraestruturas que vão propiciar uma melhoria das condições de vida no país e das populações locais, em particular", enfatizou Omar Saranga.

Saranga assinalou que a atuação das FDS está a ser conduzida com estrito respeito pelos direitos humanos.

A violência que grassa desde outubro de 2017 no norte de Moçambique está a provocar uma crise humanitária com quase 700 mil deslocados e mais de duas mil mortes.

Algumas das incursões foram reivindicadas pelo grupo 'jihadista' Estado Islâmico (EI) entre junho de 2019 e novembro de 2020, mas a origem dos ataques continua sob debate.

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