Crise

Draghi cai mesmo e a Itália vai a votos a 25 de setembro

Draghi cai mesmo e a Itália vai a votos a 25 de setembro

Ministro dos Negócios Estrangeiros denuncia "o piscar de olho a Putin". Extrema-direita dos Fratelli d'Italia toma a dianteira nas sondagens.

As negociações e até as pressões dos últimos dias com vista à manutenção de Mario Draghi à frente do Governo não resultaram e o desfecho da enésima crise política italiana é o anunciado desde a semana passada. O primeiro-ministro não resistiu à retirada dos pesos pesados que sustentavam a coligação nacional e reiterou o pedido de demissão. O presidente da República, Sergio Mattarella, anunciou a dissolução do parlamento e a convocação de eleições para 25 de setembro. Por trás de tudo também estará "o piscar de olho" a Putin, como se convence o também demissionário Luigi Di Maio, ministro dos Negócios Estrangeiros.

"Super Mario" demitiu-se ao cabo de 17 meses, mas o Governo manter-se-á em gestão corrente, até à realização das eleições. A renúncia era já esperada, após a debandada de três parceiros da coligação: a Forza Italia, partido de direita, liderado por Silvio Berlusconi, a Liga, de extrema-direita, dirigida por Matteo Salvini, e o populista e antissistema Movimento Cinco Estrelas (M5S).

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"Amigos de Putin"

O chefe da diplomacia italiana ainda em exercício foi rápido a concluir que "nada é por acaso" e apontou a uma suposta influência de Moscovo. "Não é coincidência que o Governo tenha sido derrubado por duas forças políticas que piscam o olho a Putin", disse Luigi de Maio. O ministro, que recentemente abandonou o M5S, partido que liderou até janeiro de 2020, já tinha afirmado que Moscovo "estava a brindar".

Draghi tem sido um acérrimo apoiante de Kiev, desde o início da invasão russa e o presidente Volodymyr Zelensky tem agradecido a forma como a Itália se colocou ao lado dos ucranianos. E este foi, precisamente, um dos pontos de maior atrito entre Draghi e o M5S, partido que já suscitava suspeitas de ligações a Moscovo quando, em 2018, chegou ao Governo italiano em coligação com a Liga, de Matteo Salvini.

O final da legislatura de Draghi, que devia ir até em março de 2023, foi antecipado pelo próprio primeiro-ministro, que só via "uma solução", que era a reconstrução de "um pacto, com coragem, altruismo e credibilidade".

Nada que tenha convencido os parceiros da coligação, todos eles já com a perspetiva da campanha eleitoral. E o espectro das eleições antecipadas é temido pelo centro-esquerda, porque as sondagens dão vantagem ao centro-direita, de Berlusconi, e sobretudo à extrema-direita, da Liga e dos Fratelli d"Italia.

Fascistas na frente

Este partido assumidamente fascista, presidido por Giorgia Meloni, lidera a mais recente sondagem, divulgada pelo Instituto SWG, com quase 24% das intenções de voto, à frente do Partido Democrata (22%) e da Liga (14%).

"Estamos prontos. Esta nação precisa desesperadamente de recuperar a consciência, o orgulho e a liberdade", declara Giorgia Meloni, de 45 anos, jornalista de formação, que poderá ser a primeira mulher a liderar uma Governo italiano.

Em Bruxelas, o cenário italiano causa preocupação, porque mesmo que não defendam a saída da União Europeia, os Fratelli d"Italia advogam a revisão dos tratados e a substituição da UE por uma "confederação de Estados soberanos".

Choque político

Draghi sai de cena no momento em que a Itália enfrenta o choque da guerra na Ucrânia e uma nova vaga de ​​​​​​​covid-19. E também na altura em que já deveria estar a preparar o Orçamento de Estado para 2023, além de colocar em prática as medidas exigidas por Bruxelas para beneficiar cerca de 200 mil milhões de euros em apoios concedidos a Roma.

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