Ambiente

E se os aviões usarem combustível feito a partir de resíduos alimentares?

E se os aviões usarem combustível feito a partir de resíduos alimentares?

Um novo processo de fabricação de combustível para a aviação com base em resíduos alimentar poderá reduzir as emissões de gases que provocam efeito de estufa, numa indústria que é uma das maiores emissoras de poluentes para a atmosfera.

Numa investigação publicada na "Proceedings of the National Academy of Sciences" (PNAS), a equipa de investigação descreve o desenvolvimento de um processo semelhante ao das centrais de biogás, em que são usados restos de comida, dejetos de animais e lodo de estações de tratamento de esgoto, para a obtenção do combustível. Atualmente, a grande maioria deste material é transformado em gás metano. No entanto, a equipa norte-americana descobriu uma forma de transformar esse resíduo em parafina que funciona em motores a jato.

O combustível proveniente dos resíduos alimentares resultou numa queda de 165% das emissões de carbono em comparação com os combustíveis fósseis, afirmam os cientistas. O estudo surge num momento em que a indústria da aviação enfrenta decisões difíceis no que concerne em combinar a crescente demanda por voos com a urgente necessidade de diminuir as emissões do setor.

Nos EUA, as companhias aéreas gastam, normalmente, cerca de 21 mil milhões de bidões de combustível todos os anos. Por isso, a aviação continua a ser um dos maiores obstáculos no caminho para atingir o valor de zero emissões de gases com efeito de estufa.

Com o desenvolvimento de aviões movidos a bateria, tornou-se crucial a implementação de uma solução mais sustentável. Várias companhias aéreas dos EUA já utilizam combustíveis de aviação sustentáveis, contudo, ainda procuram uma maior diminuição para ajudar a alcançar os objetivos ambientais.

"Atender aos padrões da ASTM International (American Society for Testing and Materials) é obrigatório para o uso e implantação do novo combustível de aviação sustentável pela indústria", admite o cientista Derek Vardon, o principal autor do estudo. "O nosso trabalho mostra que podemos produzir combustível de aviação sustentável que atenda a esses padrões, com análises que revelam como refiná-lo para que as companhias aéreas possam utilizar grandes quantidades sem sacrificar o respetivo desempenho", acrescenta.

"Queremos enfatizar definitivamente que a redução é a mudança mais importante e mais significativa que se pode fazer. Mas também há pragmatismo e necessidade de soluções de aviação agora, então é aí que queremos encontrar um equilíbrio, pois precisamos de várias medidas, para realmente começar a reduzir a nossa pegada de carbono numa variedade de setores, incluindo a aviação", disse Vardon.

PUB

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG