Polónia

Edifício que estava ao abandono transformado em hostel para refugiados

Edifício que estava ao abandono transformado em hostel para refugiados

Fundação abre as portas da casa aos refugiados e presta apoio a mulheres e crianças ucranianas.

Em pleno centro de Cracóvia, vários carros param em frente a um edifício antigo que, se não tivesse a porta aberta, dir-se-ia estar abandonado. Os condutores criam uma espécie de "drive-thru" de solidariedade. O hall de entrada está entupido com as doações que não param de chegar. Ao cimo do primeiro lanço de escadas, pessoas remexem um monte de roupa e calçado. "São todos refugiados ucranianos, muitos vieram só com a roupa que tinham no corpo", diz Kate, voluntária há 12 anos e uma das responsáveis.

Doado à fundação Wolno Nam, o edifício serve agora como abrigo aos ucranianos que fugiram da guerra. "Há seis dias, este espaço estava vazio, sem mesas, cadeiras e camas". Há quem chegue pelo próprio pé e quem seja reencaminhado por voluntários. Kate tem a missão de "mandar pessoas embora. Procuro-lhes um destino, já enviei mais de 300 para fora da Polónia".

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Convertido num hostel para refugiados, o espaço recebe em média 100 pessoas por dia, muitos deles ficam apenas uma noite. O primeiro andar é a zona de convívio, há uma sala de estar com televisão e sofá, uma cozinha onde falta espaço para colocar a comida que continua a chegar e um espaço com imensos brinquedos, onde dezenas de crianças tentam esquecer tudo o que viram nos últimos dias. "São só mulheres e crianças. Das 1000 pessoas que já passaram aqui, conheci 10 homens", explica Agnés, enquanto distribui cremes e champô a uma roda de mulheres à sua volta. Esta noite o hostel é abrigo para mais de 200 pessoas. "Dormem em todo o lado, até na sala das crianças", confessa Agnés.

No meio dos refugiados, há voluntários que se disponibilizam para todo o tipo de tarefas, como organizar as doações, cozinhar e até ajudar a cuidar das crianças enquanto as mães têm um merecido descanso. "Tem sido muito importante para nós. Brincam com eles, dão-lhes comida", desabafa Olga, 27 anos, encostada a uma almofada no sofá enquanto a filha brinca com os novos amigos.

Para os voluntários, qualquer sorriso é uma vitória. "Consegue-se ver aqui um bocadinho de alegria no meio da tragédia", conta Nuno Gonçalves, natural de Grândola, que trabalha e vive na Polónia há oito anos. Este é o terceiro centro de apoio a refugiados que o português, de 33 anos, ajuda com doações. "Trouxe fraldas, uma banheira de bebé e também roupas", conta.

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