Elizabeth Holmes

Elizabeth Holmes: a queda da "menina de ouro" que pode apanhar 20 anos de prisão

Elizabeth Holmes: a queda da "menina de ouro" que pode apanhar 20 anos de prisão

Prometia revolucionar o diagnóstico de doenças com duas ou três gotas de sangue. Mas tudo não passava de uma fraude. O julgamento da empresária americana Elizabeth Holmes começou esta semana e a defesa quer culpar o ex-companheiro, acusando-o de abuso e de ter "anulado a sua capacidade de tomar decisões".

Aos 30 anos, era a mais jovem empreendedora do mundo a tornar-se bilionária, avançava a Forbes, em 2014. A "próxima Steve Jobs". E não era para menos.

Acabada de sair do curso de Engenharia Química da Universidade de Stanford, com 19 anos, Elizabeth Holmes criou a empresa de biotecnologia Theranos, que se preparava para revolucionar o diagnóstico de doenças.

Com apenas algumas gotas de sangue, a tecnologia prometia realizar centenas de exames laboratoriais capazes de detetar doenças como o cancro. Tudo sem recorrer a agulhas. Não faltaram investimentos milionários no projeto, nomeadamente do diplomata americano Henry Alfred Kissinger e do magnata dos media Rupert Murdoch.

No entanto, uma investigação jornalística realizada em 2015, com a ajuda de um informador, expôs um dos maiores escândalos de Silicon Valley, o maior polo de inovação do mundo.

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A empresa de Holmes não estava a utilizar a tecnologia com a qual tinha conquistado o mundo, mas sim equipamentos de outras instituições. Tudo não passava de uma fraude. Os processos judiciais multiplicaram-se e a queda da "menina de ouro" foi ainda mais rápida do que a ascensão. Em 2018, a Theranos colapsou e a empresária foi detida, assim como o seu parceiro de negócios e ex-namorado Ramesh Balwani.

O julgamento de Elizabeth, agora com 37 anos, começou esta semana e a americana poderá ser condenada a 20 anos de prisão por 12 acusações de fraude. Mas houve, entretanto, uma reviravolta. Segundo a BBC, os advogados alegam que Ramesh Balwani abusou psicologicamente de Holmes, prejudicando o seu discernimento.

"Controlava o que ela comia, vestia, o dinheiro que gastava e com quem podia interagir. Basicamente, dominava-a, anulando a sua capacidade de tomar decisões", afirmaram. Acusações já negadas pelo antigo parceiro de negócios (que será julgado só no próximo ano).

Os argumentos iniciais da acusação e da defesa devem ser ouvidos para a semana, prevendo-se que o julgamento se prolongue durante três meses.

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