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Escola afasta hostilidade em agressão a portuguesa em Luanda

Escola afasta hostilidade em agressão a portuguesa em Luanda

A Cooperativa que gere a Escola Portuguesa de Luanda nega que a agressão de que foi vítima uma auxiliar de educação no sábado, enquanto fazia compras num centro comercial, esteja relacionada com a "alegada hostilidade à comunidade portuguesa residente em Angola por parte de cidadãos angolanos", conforme foi relatado ao JN.

O Governo, pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), admitiu desconhecer o caso. "O Consulado-Geral de Portugal em Luanda contactou as autoridades policiais angolanas que não reportaram casos de agressões a portugueses em Luanda".

A vítima, com 50 anos, natural de Santarém, auxiliar de ação educativa na escola foi agredida num centro comercial em Luanda no sábado, no mesmo dia em que foram conhecidos os primeiros casos de Covid-19 por cidadãos provenientes de Portugal, e sofreu um traumatismo craniano. O caso foi denunciado ao JN por uma colega da vítima, professora na mesma escola que disse ter sido já alvo de insultos e que prefere manter-se no anonimato.

A docente queixou-se de corte de ordenados desde outubro e do não pagamento do último salário, o que não permitia fazer face ao custo elevado dos voos para Portugal. A Escola nega atrasos nos pagamentos aos docentes "porquanto o processamento salarial se efetua no final de cada mês, estando em curso o seu pagamento com toda a normalidade". "As questões salariais e contratuais estão a ser motivo de análise e negociação entre a direção da Cooperativa Portuguesa de Ensino em Angola, órgão de gestão da Escola e a Comissão que representa o pessoal docente, envolvendo outras entidades, nomeadamente o Ministério da Educação e Embaixada de Portugal", afirma.

A docente referiu ainda que tinha medo de sair à rua e na mesma ter que se deslocar à escola, que na sexta feira suspendeu as atividades letivas. A Cooperativa Portuguesa de Ensino em Angola negou a presença de docentes, uma vez que "as reuniões de avaliações estão a efetuar-se em modalidade não presencial".

Uma lista com nomes, telefones e moradas de cidadãos provenientes de Portugal que chegam a Luanda foi divulgada nas redes sociais em Angola no sábado. No documento, a que o JN teve acesso, estão informações de passageiros cujos voos aterraram esta segunda e terça-feira em Luanda, provenientes de Lisboa. Sem comentar a a divulgação da lista, o Governo garante que "o Consulado continuará a acompanhar atentamente a situação da comunidade portuguesa em Angola".

A docente tinha voo marcado para o dia 28, mas foi cancelado. Queixou-se do custo elevado dos voos de regresso, "1800 num voo da TAP e 2300 num voo da Euroatlantick". Ao JN, o MNE referiu que "relativamente aos voos de repatriamento, a TAP está a viabilizar um voo para Angola e já se realizaram dois voos da TAAG e um da Air France, garantindo-se assim que as pessoas continuam a ter oportunidade de sair do país". "O Ministério dos Negócios Estrangeiros continua a acompanhar a situação e a apoiar com toda a informação os portugueses que pretendem regressar", conclui.

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