Afeganistão

Espanha recebe 148 refugiados afegãos e França 99

Espanha recebe 148 refugiados afegãos e França 99

Mais 148 refugiados afegãos chegaram na sexta-feira a Madrid, em dois voos, enquanto 99 aterraram em Paris, depois de conseguirem escapar ao caos no aeroporto de Cabul, onde milhares de pessoas tentam abandonar o país tomado pelos talibãs.

O último dos dois aviões que chegaram esta sexta-feira a Espanha, com afegãos retirados do seu país, aterrou pouco depois das 20.30 horas na base aérea de Torrejón de Ardoz (Madrid), com 110 passageiros a bordo, na sua maioria funcionários de instituições espanholas, com as suas famílias.

No grupo veio a capitã da equipa afegã de basquetebol paralímpica, Nilofar Bayat, que pediu ajuda para deixar o país.

Este grupo, que inclui três famílias de pessoal da embaixada espanhola no Afeganistão, deixou Cabul num avião das Forças Armadas espanholas, que voou para o Dubai e de lá seguiu num voo comercial para Espanha.

Horas antes desta aterragem, um avião proveniente de Paris aterrou na base de Torrejón com mais 38 passageiros afegãos que colaboraram com diferentes instituições europeias e que serão transferidos para vários países.

Eleva-se agora a quatro o número de aviões que já chegaram a Espanha com civis vindos do Afeganistão no âmbito do plano de evacuação: dois fretados pelo governo espanhol e outros dois por países europeus.

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Entretanto, um avião militar francês transportando mais de 100 pessoas evacuadas de Cabul aterrou hoje em Paris, naquela que é a quarta operação do género desde que foi lançado o plano de evacuação no início da semana.

Num comunicado, o governo francês disse que 99 afegãos e quatro cidadãos franceses estavam entre os passageiros do voo, que chegou ao fim da tarde ao aeroporto Charles de Gaulle, na capital francesa, vindo de Abu Dhabi.

A estas pessoas a França oferece apoio médico, psicológico e material, e para os afegãos foram postos em prática também procedimentos acelerados para que possam obter vistos, uma vez efetuados os controlos para garantir que não representam um risco para a segurança interna da França.

Desde a primeira rotação entre Cabul e Paris, na segunda-feira, com uma escala na base aérea francesa nos Emirados Árabes Unidos, a França já retirou 600 pessoas.

Quanto ao contingente de refugiados que chegou hoje a Espanha, instalou-se no campo provisório da base militar em Torrejón de Ardoz (Madrid), de onde cerca de 50 serão distribuídos, nos próximos dias, para centros de acolhimento em Espanha e o resto para diferentes países da União Europeia.

Os afegãos que chegaram a Madrid no último avião foram recebidos pelo ministro da Presidência, Félix Bolaños, que, numa breve aparição, admitiu que a situação no aeroporto de Cabul "continua a ser muito complicada, dramática", porque milhares de pessoas querem embarcar a fim de terem uma vida "segura e melhor".

"Espanha e Europa estão a trabalhar dia e noite para poderem retirar o maior número de pessoas possível e no menor tempo possível", afirmou Bolaños, antes de reiterar que para todos estes cidadãos "Espanha e Europa é a sua esperança de uma vida melhor, especialmente para as mulheres e raparigas".

Entretanto, muitos afegãos que estão na lista de repatriamento do governo espanhol, incluindo um bom número de tradutores, ainda não conseguiram chegar ao aeroporto, controlado pelos EUA, devido ao risco dos postos de controlo destacados pelas milícias talibãs nas proximidades, onde reina o caos, com milhares de pessoas a tentar aceder.

A lista das autoridades espanholas inclui mulheres ativistas pela igualdade, defensoras dos direitos humanos, professores, jornalistas e trabalhadoras como cabeleireiras, que poderiam ser objeto de repressão por parte dos Talibãs.

Para analisar o desenvolvimento do processo, a Presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, e o Presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, vão visitar no sábado, o campo de Torrejón, juntamente com o chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez.

Os talibãs, movimento extremista afegão, entraram no domingo em Cabul, após ter conquistado a maioria das capitais provinciais do Afeganistão numa ofensiva iniciada em maio, quando começou a retirada das forças militares norte-americanas e da NATO.

As forças internacionais estavam no país desde 2001, no âmbito da ofensiva liderada por Washington contra o regime talibã, que acolhia no seu território o líder da Al-Qaida, Osama bin Laden, cérebro dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.

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