Operação "Ponte de Londres"

Excursão de Carlos e redes sociais de negro: como serão os dias após a morte de Isabel II

Excursão de Carlos e redes sociais de negro: como serão os dias após a morte de Isabel II

O dia da morte da rainha Isabel II vai levar à concretização de uma série de planos cuidadosamente elaborados que estão em vigor desde a década de 1960, num processo denominado "Operação Ponte de Londres", de acordo com documentos aos quais o jornal "Politico" teve acesso.

O esboço vago destes planos já é conhecido há algum tempo mas, agora, o "Politico" divulgou como o protocolo funcionará nas horas e dias após a morte da monarca, que tem atualmente 95 anos.

O plano de segurança é descrito na íntegra, detalhando todo o processo, desde a forma como a notícia da morte será divulgada até à rapidez com que o Príncipe Carlos ascenderá ao trono. Além disso, inclui detalhes sobre o que acontecerá durante os 10 dias após a morte da rainha, incluindo o local onde o caixão estará, a forma como o primeiro-ministro irá abordar publicamente a notícia e como o Príncipe Carlos passará os seus primeiros dias como Rei da Inglaterra.

"D-Day": o dia da morte de Isabel II

O dia em que a rainha Isabel II morrer vai ser referido como "D-Day" e os dias seguintes "D+1", "D+2" e por aí em diante. Nesse dia, vai dar-se uma "cascata de chamadas" horas após a morte para informar o primeiro-ministro, o secretário de ministério e vários ministros e funcionários do governo. O primeiro-ministro será informado pelo secretário particular da Rainha, assim como o Gabinete do Conselho Privado.

A informação será divulgada entre os ministros do Governo com uma mensagem pré-programada: "Acabamos de ser informados da morte de Sua Majestade, a Rainha". Os ministros também serão informados de que "discrição é necessária". Os funcionários públicos vão ser informados com um e-mail: "Caros colegas, é com tristeza que escrevo para informá-los da morte de Sua Majestade, a Rainha".

PUB

Já o público será informado através de uma "notificação oficial" entregue pela Casa Real. Os pilotos também informarão os passageiros dos seus voos se a notícia for anunciada quando estiverem a meio de uma viagem.

Para marcar o dia, vai haver um minuto de silêncio nacional e serão disparadas salvas de canhão. No final do dia, haverá uma cerimónia fúnebre "espontânea" realizada na Catedral de São Paulo, em Londres, com a presença do primeiro-ministro.

Os dias seguintes

Se a rainha morrer na sua residência em Norfolk, Sandringham, o corpo será levado no comboio real para a estação St Pancras, em Londres, de onde será levado para o Palácio de Buckingham. Se morrer em Balmoral, na Escócia, o corpo será levado para Londres no comboio real, como parte de uma operação conhecida como "Unicórnio". Se isso não for possível, o corpo será levado de avião.

No Dia D+4, haverá um ensaio para a procissão do caixão do Palácio de Buckingham ao Palácio de Westminster. A procissão acontecerá no Dia D+5 e será seguida por uma cerimónia fúnebre no Westminster Hall. A Rainha ficará durante três dias no Palácio de Westminster, numa operação conhecida como "Operação Pena".

O funeral deverá acontecer dez dias após a morte da rainha na Abadia de Westminster. Nesse dia, haverá um silêncio nacional de dois minutos ao meio-dia. Haverá procissões tanto em Londres como em Windsor e uma cerimónia fúnebre na Capela de São Jorge. O dia do funeral será dia de luto nacional e também feriado.

A rainha será enterrada na Capela Memorial do Rei George VI, em Windsor.

Os planos para o Príncipe Carlos

No dia seguinte à morte da rainha, conhecido como Dia D+1, o Conselho de Adesão vai reunir-se no Palácio de St. James para proclamar o Príncipe Carlos como novo soberano. Centenas de pessoas estarão presentes, incluindo o primeiro-ministro e ministros do Governo. Às 15.30 horas, conforme consta dos documentos, haverá uma audiência com o Rei Carlos.

No Dia D+3, Carlos receberá a moção de condolências no Westminster Hall e vai iniciar uma digressão pelo Reino Unido, passando pela Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales.

Redes sociais "vestidas" de negro

Em relação às redes sociais, todas as páginas departamentais do Governo terão uma faixa preta após a morte da Rainha e mudarão as suas fotos de perfil para o brasão departamental. Qualquer conteúdo considerado não urgente não será publicado.

Além disso, os retweets serão bloqueados, a menos que sejam aprovados pelo chefe de comunicações do Governo central.

O site da família real será atualizado com uma página preta com uma curta declaração a confirmar a morte do monarca. Da mesma forma, o site do Governo terá uma faixa preta na parte superior.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG