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Explosões subaquáticas detetadas antes das fugas de gás do Nord Stream

Explosões subaquáticas detetadas antes das fugas de gás do Nord Stream

A Suécia detetou duas explosões submarinas, "muito provavelmente devido a detonações", antes de serem encontradas as fugas de gás no Nord Stream 1 e 2. Estes dados adensam a teoria de que os gasodutos foram danificados deliberadamente.

Uma primeira "emissão maciça de energia" de uma magnitude de 1,9 foi registada na noite de domingo às 02.03 horas locais (01.03 em Lisboa), no sudeste da ilha dinamarquesa de Bornholm, disse Peter Schmidt, da Rede Nacional Sísmica Sueca, à France-Presse (AFP). O instituto sueco registou uma segunda ocorrência de magnitude 2,3 às 19.04 horas locais de segunda-feira (18.04 em Lisboa), no nordeste da ilha.

"Interpretamo-lo como vindo com a maior probabilidade de alguma forma de detonação", afirmou Schmidt.

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A primeira fuga de gás foi detetada no Nord Stream 2, na noite de domingo. E os outros "dois pontos de fuga" foram encontrados no gasoduto Nord Stream 1, ao largo da ilha dinamarquesa de Bornholm, situada entre a Suécia e a Polónia, esta terça-feira, segundo as autoridades dinamarquesas e suecas. Apesar de nenhum dos dois estar operacional, os dois gasodutos da Gazprom estavam cheios de gás.

Um voo militar dinamarquês, que sobrevoou a zona, mostrou uma vasta área do Mar Báltico onde se vê o gás borbulhante à superfície. O metano, o componente primário do gás natural, dissolve-se parcialmente na água, não é tóxico e não cria qualquer perigo quando inalado em quantidades limitadas. O impacto ambiental deve ser local e limitado, de acordo com as avaliações iniciais.

A navegação foi proibida num raio de cinco milhas náuticas (cerca de nove quilómetros) perto das três fugas, bem como o sobrevoo num raio de um quilómetro.

Esta terça-feira foi inaugurado o gasoduto Baltic Pipe, no Báltico, que irá transportar gás da Noruega para a Polónia, um importante progresso no caminho da independência de Varsóvia no que diz respeito ao gás russo.

Teoria de sabotagem adensa-se

"Hoje enfrentamos um ato de sabotagem, não conhecemos todos os detalhes do que aconteceu, mas vemos claramente que é um ato de sabotagem, relacionado com o próximo passo da escalada da situação na Ucrânia", disse o primeiro-ministro polaco, durante a abertura do novo gasoduto Baltic Pipe entre a Noruega e a Polónia.

Também a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, notou que não se pode excluir a teoria de sabotagem. "Estamos a falar de três fugas com alguma distância entre elas e é por isso que é difícil imaginar que se trata de uma coincidência", acrescentou. Uma fonte de segurança europeia disse ainda à agência Reuters que havia "alguns indícios de danos deliberados", admitindo no entanto que era cedo para tirar conclusões.

Segundo fontes anónimas nos círculos governamentais alemães, a simultaneidade das três fugas torna improvável que se tenha tratado de um acidente. "A nossa imaginação não pode inventar um cenário que não seja um ataque deliberado", disse uma pessoa envolvida na investigação ao diário alemão "Der Tagesspiegel".

Também a Ucrânia se pronunciou contra o incidente, denunciando um "ataque terrorista" contra a União Europeia. "A fuga de gás em grande escala do Nord Stream 1 não é mais do que um ataque terrorista planeado pela Rússia e um ato de agressão contra a União Europeia", disse o conselheiro presidencial ucraniano Mykhailo Podoliak, no Twitter.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, admitiu estar "extremamente preocupado" e que não podia ser excluída qualquer possibilidade, incluindo a de sabotagem. O operador dos oleodutos, o consórcio Nord Stream, disse que não pôde ver ou avaliar os danos, mas reconheceu a natureza excecional da situação.

A Rússia cortou o fornecimento de gás à Europa através do Nord Stream 1, até o mesmo ser completamente encerrado no final de agosto, culpando as sanções ocidentais por atrasarem as reparações necessárias ao gasoduto. Os políticos europeus dizem que foi só um pretexto para deixar de fornecer gás. Já o gasoduto Nord Stream 2 nunca chegou a funcionar. O plano de o utilizar para fornecer gás foi cancelado pela Alemanha dias antes de Putin enviar tropas para a Ucrânia, no início do ano.

Ambos os gasodutos têm sido pontos críticos numa escalada da guerra energética entre o Ocidente e Moscovo, que tem fustigado as principais economias ocidentais, feito disparar os preços do gás e desencadeado uma caça ao abastecimento de energias alternativas.

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