Saúde

"Fake news" sobre novo coronavírus são "um risco para a saúde pública"

"Fake news" sobre novo coronavírus são "um risco para a saúde pública"

Investigador David Marçal alerta para os perigos das soluções contra o vírus veiculadas pelas redes sociais.

Da Índia ao Brasil, os governos de numerosos países estão a adotar medidas para minimizar os efeitos dos conteúdos informativos falsos (vulgarmente designados por "fake news") que, nas últimas semanas, têm proliferado nas redes sociais.

As medidas têm variado e tanto incluem a disponibilização de números no WhatsApp para o esclarecimento de dúvidas relacionadas com o vírus, como a criação de equipas de cientistas que procuram combater a desinformação junto de camadas alargadas da população.

A informação sobre saúde exige cuidados redobrados e o esforço dos governantes por todo o Mundo é notório. Segundo o investigador David Marçal, justifica-se em pleno. "Numa altura em que é preciso ter comportamentos muito específicos, os conteúdos falsos são ainda mais perigosos", adverte o autor do livro "Pseudociência", para quem a desinformação "pode colocar a saúde pública em risco". Das pessoas que adotam os comportamentos de risco e dos que o rodeiam, devido à facilidade do contágio.

Os exemplos avolumam-se. Por todo o lado encontram-se receitas para soluções desinfetantes que alegadamente substituem o álcool, mas também suplementos que poderão reforçar o sistema imunitário e ajudar a fazer frente aos efeitos do vírus.

David Marçal aponta o dedo aos "terapeutas alternativos" que optam agora por um discurso defensivo que os possa salvaguardar de eventuais acusações.

"Quando vendem as suas mezinhas, esses gurus e animadores já não falam tanto em tratamento ou cura. Agora referem-se ao reforço do sistema imunitário. Se a pessoa não ficar infetada, é porque a receita resultou. Se não resultou, é devido ao vírus. Desse modo, têm sempre razão", acusa.

contra "falsas certezas"

Há muito que a Internet tem servido para difundir em massa informações ou teorias que visam colocar em causa a ciência tradicional. O movimento antivacinas ou a promoção da anorexia como modelo alimentar são duas das correntes mais populares neste nicho.

Mas é seguro dizer-se, contudo, que esses esforços nunca foram tão acentuados como nos tempos atuais, em que o medo do contágio e a ausência de uma vacina fizeram alastrar estas teorias de forma inimaginável.

Apesar de reconhecer que a incerteza atual favorece os interesses "dos gurus e dos terapeutas alternativos", David Marçal defende que a aquisição de cultura científica "é a única solução" para que os cidadãos fiquem mais esclarecidos e estejam protegidos contra as tentativas de engodo: "As incertezas da Medicina são mais fiáveis do que essas falsas certezas".

Outras Notícias