Ambiente

Faltar às aulas pelo clima: Portugal junta-se a iniciativa global

Faltar às aulas pelo clima: Portugal junta-se a iniciativa global

Iniciativa ambiental de jovem sueca alastrou-se a vários países do mundo. Jovens portugueses não fogem à luta pelo clima.

O nome de Greta Thunberg já não é estranho. É a jovem sueca de 16 anos que faz da proteção do clima sua bandeira e a agita sem medo em todo o lado. Em dezembro passado, foi a voz de uma das mensagens mais potentes da Cimeira das Nações Unidas sobre o clima, na Polónia, ao encostar os líderes mundiais à parede, acusando-os de estarem a arruinar o futuro dos filhos que dizem amar. No mês seguinte, lançou provocações no Fórum Económico Mundial, em Davos: "Há quem diga que devia estar na escola: mas por que é que me hei de preparar para um futuro que pode não existir?"

Foi por isso que, no verão, decidiu, sozinha, começar uma manifestação semanal pelo combate às alterações climáticas. Desde então tem feito greve às aulas, a todas as sextas-feiras, colocando-se em frente ao Parlamento sueco e apelando a medidas concretas do poder local.

O movimento criado por Greta cresceu e associou-se a organizações como a Greenpeace, a Extinction Rebellion e a 350.org. Chegou, esta sexta-feira, às escolas da Grã-Bretanha, onde milhares de alunos pediram mão verde ao Governo de Theresa May. As manifestações seguem os exemplos de dezenas de milhares de estudantes de escolas secundárias e universidades na Austrália, Bélgica, Alemanha, Estados Unidos, Japão e mais de uma dúzia de outros países, escreve o "The Guardian".

"Acho que já muitas pessoas perceberam o quão absurda esta situação é. Acho que estamos a ver o início de grandes mudanças e isso traz esperança", disse Greta àquele jornal britânico.

Cidades portuguesas seguem Greta

No âmbito do movimento global, ativistas do clima de vários países, incluindo Portugal, estão a preparar greves e protestos para 15 de março. Porto, Lisboa, Coimbra, Beja, Leiria e Faro são as cidades que deverão acolher as greves.

No Porto, onde se espera uma concentração junto à Câmara Municipal, às 10.30 horas, o protesto está a ser organizado por Bárbara Pereira, 17 anos, que frequenta o 12.º ano no Colégio Internato dos Carvalhos, em Gaia. A jovem, que fala numa "boa adesão do público estudante à ideia", disse ao JN que o protesto é dirigido "a todos os estudantes que se revejam na importância do combate às alterações climáticas", independentemente da etapa escolar em que se encontrem.

Feliz por contar com o apoio dos professores, Bárbara esclareceu que "o que está na base da manifestação não é o desejo de faltar às aulas". "Não estamos a promover a inércia, estamos a fazer o contrário", afirmou.

Matilde Alvim, da Secundária de Palmela, está a organizar o protesto em Lisboa, onde haverá uma concentração no Largo Camões e uma marcha até à Assembleia da República. A estudante diz que o objetivo da ação é pedir medidas concretas ao Governo que podem passar por "proibir a exploração de combustíveis fósseis", "melhorar os transportes públicos" a nível de emissões de gases poluentes, "apostar mais nas energias renováveis" e acelerar o processo da "neutralidade carbónica".

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