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Funeral de Isabel II: como vai ser o grande "evento diplomático"

Funeral de Isabel II: como vai ser o grande "evento diplomático"

Cerimónias fúnebres da monarca, que morreu no dia 8 de setembro, ficarão marcadas pela presença de líderes dos quatro cantos do Mundo, com a exceção de Vladimir Putin. Abadia de Westminster, em Londres, tem capacidade para receber 2000 convidados.

Na semana em que os britânicos se preparam para o último adeus à monarca que mais tempo reinou em Inglaterra, decorrem os preparativos para o funeral mais diplomático do século XXI - pelo menos até agora. Entre os convidados da cerimónia, agendada para 19 de setembro na Abadia de Westminster, em Londres, estarão vários líderes mundiais, entre eles monarcas de outras nações, chefes de Estado e chefes de Governo.

De acordo com o protocolo da Coroa, os convites para as cerimónias fúnebres serão oferecidos ao dirigente de cada país e ao respetivo cônjuge. Embora se trate de um momento solene e de luto, as exéquias de Isabel II serão, tal como já aconteceu com outros funerais de Estado, uma inevitável oportunidade de encontros multilaterais e todos querem estar presentes.

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Joe Biden, presidente dos EUA, Ursula Von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e Jacinda Arden, primeira-ministra da Nova Zelândia, já confirmaram que marcarão presença no funeral. Em representação de Portugal estará Marcelo Rebelo de Sousa, que viaja para Inglaterra no domingo.

Numa altura em que o Reino Unido viu mudar, na mesma semana, a figura de chefe de Estado e chefe de Governo, está poderá ser uma oportunidade de ouro para Liz Truss - indigitada primeira-ministra por Isabel II, dois dias antes da monarca morrer - conhecer líderes com quem terá de lidar no seguimento das novas funções.

"Será um grande evento diplomático. A última contribuição de Sua Majestade para o bem-estar do país é fornecer uma desculpa para um enorme encontro diplomático", considerou, ao Politico, um ex-ministro britânico, no poder aquando do funeral de Margaret Tatcher, em 2013.

Ausência de Putin

O último funeral de estado a ser realizado no Reino Unido ocorreu em 1965, após a morte do ex-primeiro-ministro Winston Churchill. Líderes de mais de 112 países - incluindo Dwight Eisenhower, presidente dos EUA, Charles de Gaulle, presidente de França, e a própria rainha Isabel II - participaram nas cerimónias fúnebres na Catedral de São Paulo, em Londres, que foi seguida, através da televisão, por mais de 350 milhões de pessoas em todo o Mundo.

O momento revelou-se diplomaticamente relevante, não só por juntar num único evento líderes de vários países, como por se ter realizado no auge da Guerra Fria. Apesar das relações entre estados se encontrarem fragilizadas, o vice-primeiro-ministro da União Soviética compareceu no funeral. Quase 60 anos depois, e numa altura em que o Ocidente também se encontra de costas voltadas com a Rússia, devido à invasão da Ucrânia, não se espera um momento de "tréguas" semelhante.

O Kremlin já assegurou que Vladimir Putin, presidente da Rússia, não irá ao funeral de Isabel II, evitando assim encontrar-se com figuras internacionais com as quais tem vindo a deteriorar as relações, como é o caso de Joe Biden, que classificou o líder de Moscovo como "criminoso de guerra" após as tropas russas terem entrado em território ucraniano.

Embora os russos "respeitem" a rainha "pela sua sabedoria", a presença de Putin no funeral não é uma opção, explicou Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, antecipando que, em breve, será tomada uma decisão sobre quem dará a cara pelo país na cerimónia. Por parte da Ucrânia, ainda não se sabe se haverá representação.

"Um funeral como nenhum outro"

Ainda que seja inevitável o encontro entre dirigentes, John Kampfner, diretor da "UK in the World", lembra, ao Politico, o dever de os convidados procederem discretamente em quaisquer conversas ou encontros privados. "Todos os chefes de Estado e outros deverão ser muito cautelosos", observou o especialista.

Os líderes também deverão ter cuidado para não ofuscar, acidentalmente, a pessoa homenageada ou roubar a atenção com ações que possam ser consideradas desapropriadas. Tal aconteceu durante o funeral de Nelson Mandela, em 2013, quando, num momento inesperado, o então presidente dos EUA, Barack Obama, e o cubano Raul Castro, apertaram a mão, o que, rapidamente, foi interpretado como um sinal da relação calorosa entre Washington e Havana.

No entanto, salientou Kampfner, "este será um funeral como nenhum outro", lembrando que "a rainha era a pessoa mais famosa do Mundo e, como resultado, "haverá uma lista de presenças sem precedentes".

Apesar de ainda não se saber quantos dirigentes se vão deslocar a Londres na próxima segunda-feira, outros detalhes irão fazer do funeral de Isabel II um momento singular, já que os convidados internacionais deverão evitar o uso de aviões privados na deslocação às cerimónias fúnebres. Como tal, deverão ser transportados em autocarros ao invés de em viaturas pessoais, o que segundo fontes do Palácio de Buckingham, é justificado "por razões de segurança e alterações à circulação" rodoviária, cita o Politico.

A Abadia de Westminster, local onde se realizam as mais importantes celebrações religiosas da família real britânica - como foi o caso do casamento da rainha Isabel II com o príncipe Filipe e, mais recentemente, o enlace do príncipe William e Catherine Middleton - tem capacidade para 2000 pessoas, assim sendo, e para que haja lugar para todos os convidados, cada país poderá apenas ter dois representantes presentes.

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