Julgamento

Ghislaine Maxwell deu uniforme escolar a jovem vítima dos abusos de Epstein

Ghislaine Maxwell deu uniforme escolar a jovem vítima dos abusos de Epstein

Uma mulher britânica disse em tribunal que Ghislaine Maxwell lhe pediu para encontrar raparigas "simpáticas, jovens e bonitas" para o magnata pedófilo Jeffrey Epstein.

Ghislaine Maxwell, 59 anos, está a ser julgada em Nova Iorque sob a acusação de angariar raparigas para satisfazer os desejos sexuais do amigo e ex-amante Jeffrey Epstein (entre 1994 e 2004). Está detida e declarou-se inocente de todas as acusações. Jeffrey Epstein suicidou-se na prisão, em agosto de 2019.

Na audiência de julgamento de segunda-feira, uma testemunha contou como Maxwell se aproximou dela, quando tinha 17 anos, se tornou amiga e a pressionou várias vezes para a "diversão".

Sob o pseudónimo Kate, a britânica disse que conheceu Maxwell em Paris, por volta de 1994. E confessou que ficou automaticamente cativada pela elegância e sofisticação de Maxwell. "Ela era impressionante... tudo aquilo que eu gostava de ser".

Maxwell falou-lhe então da faceta filantrópica do seu namorado, em como ele gostava de ajudar jovens, numa altura em que Kate estava a iniciar uma carreira musical e estava entusiasmada com "a nova amiga".

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Em poucas semanas conheceu Epstein e - a pedido de Maxwell - estava a fazer massagens ao magnata, que terminavam em sexo. Maxwell elogiava as suas mãos fortes, dizia que ela era "uma boa rapariga" e perguntava se ela se estava a "divertir".

Revelou ainda que, um dia, numa casa em Londres, Maxwell lhe deixou um uniforme escolar no quarto de hóspedes e lhe disse: "achei que seria giro ires levar o chá do Jeffrey com este figurino." Acrescentou que vestiu a roupa e que o magnata norte-americano fez sexo com ela.

Kate referiu que Maxwell dirigia várias vezes as conversas para tópicos sexuais e que descrevia Epstein como um homem "exigente" que precisava de ter sexo três vezes por dia. Neste contexto, perguntou a Kate se conhecia alguém que pudesse fazer sexo com ele "porque era demais para ela também".

"Tu sabes o que ele gosta: simpáticas, jovens e bonitas, como tu", disse-lhe Maxwell, segundo contou.

Kate garante que nunca ajudou a encontrar outras mulheres, mas admitiu ter comunicado com Epstein até aos seus 30 anos, por medo do que podia acontecer se não o fizesse.

Está prevista a audição de mais duas testemunhas antes do julgamento terminar.

Na semana passada, uma mulher - identificada sob o pseudónimo Jane - chorou no tribunal ao descrever os encontros sexuais com Epstein quando tinha apenas 14 anos, acrescentando que Maxwell às vezes participava nos atos e agia perante a situação "como se não fosse nada de especial".

"Maxwell desempenhou um papel fundamental para identificar, fazer amizade e preparar menores vítimas de abuso" para Epstein. "Nalguns casos, Maxwell participou no abuso. Montou a armadilha. Fazia-se passar por uma mulher em quem podiam confiar enquanto as preparava para que Epstein pudesse abusar delas", segundo consta na acusação da procuradora nova-iorquina Audrey Strauss.

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