Venezuela

Caracas acusa TAP de permitir explosivos a bordo

Caracas acusa TAP de permitir explosivos a bordo

O argumento foi aduzido pelo presidente da Assembleia Constituinte Venezuela, considerado o número dois na hierarquia do chavismo, atrás do presidente, Nicolás Maduro: a transportadora aérea portuguesa (TAP) e as autoridades aeroportuárias nacionais (ANA) são acusadas de ter deixado embarcar no avião que na terça-feira ligou Lisboa a Caracas "material muito perigoso", cujo alegado portador, Juan José Márquez, foi detido à chegada à Venezuela. Nem TAP nem ANA comentam as afirmações.

Estariam em causa "lanternas táticas, que continham no interior, no compartimento das pilhas, substâncias químicas de natureza explosiva, presumivelmente explosivo sintético C4", disse Diosdado Cabello, no programa semanal que alimenta na televisão, sentado atrás de uma secretária sobre a qual repousa uma moca. Mais, Marquez terá violado "as normas da Aeronáutica Civil e entrou com um colete anti-bala, proibido" na Venezuela. Ontem, o Governo venezuelano acrescentava que Márquez tinha explosivos em cápsulas de perfume e uma pen com "planos de ataque".

Sem comentários

A detenção fora denunciada no dia anterior pelo líder oposição, Juan Guaidó, sobrinho de Márquez e que viajara com ele no mesmo voo desde Lisboa, após um périplo mundial de 23 dias para recolher apoios nos seus intentos de derrubar Maduro. Proibido de sair do país, Guaidó desafiou as autoridades e foi acolhido, à chegada, por apoiantes do Governo que o agrediram, enquanto o tio era retido na alfândega. Mas, contrariamente ao esperado, o líder opositor e presidente da Assembleia Nacional, autoproclamado presidente interino da Venezuela em janeiro do ano passado, não foi preso. Foi-o Márquez.

Cabello confirmou a detenção anteontem à noite, negando que estivesse em causa, como foi dito por Guaidó, "um desaparecimento forçado".

Mais tarde, o Governo venezuelano acusou diretamente a TAP de violar "padrões internacionais" com o transporte de explosivos e de esconder que transportava Juan Guaidó. Contactada, a transportadora não quis comentar. A ANA Aeroportos de Portugal faz o mesmo, tratando-se de um caso de transferência no Aeroporto de Lisboa, mas garante "ter em vigor as medidas preconizadas pelos Regulamentos Europeus sobre segurança da aviação civil".

A guerra política venezuelana promete continuar a salpicar Portugal, um dos cerca de 50 países que reconheceram, há um ano, Juan Guaidó como presidente interino. O próprio embaixador de Portugal em Caracas, Carlos Sousa Amaro, foi metido na contenda. Diz o Governo de Maduro que tentou interceder por Márquez. E foi, por isso, acusado de "interferência abusiva em assuntos internos".

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