Sexismo

Governo japonês convida mulheres para "olhar e não falar" em reuniões importantes

Governo japonês convida mulheres para "olhar e não falar" em reuniões importantes

O Partido Liberal Democrata do Japão, que governa o país, anunciou que vai convidar mulheres para participar em reuniões importantes, desde que não falem. Decisão surge dias depois de o presidente do comité organizador dos Jogos Olímpicos de Tóquio2020, Yoshiro Mori, se ter demitido após polémica desencadeada pelos seus comentários sexistas.

O partido do Governo japonês propôs que cinco mulheres possam participar nas reuniões do conselho, até agora exclusivamente masculinas, para "olhar, mas não para falar". As opiniões dessas mulheres devem ser enviadas apenas após as reuniões, noticia a BBC.

O secretário-geral do Partido Liberal Democrata, Toshihiro Nikai, disse em conferência de imprensa, na terça-feira, que planeia levar uma "perspetiva feminina" para as reuniões do conselho. O responsável disse ainda, em declarações à Reuters, que está ciente das críticas ao domínio masculino na direção do partido e que é importante que as mulheres "olhem" para o processo de tomada de decisão. "É importante entender completamente que tipo de discussão está a acontecer. Observar, é disso que se trata", afirmou Toshihiro Nikai.

Os meios de comunicação social japoneses informaram que as cinco mulheres teriam permissão para sentar-se como observadoras nas reuniões do conselho de tomada de decisões, mas não teriam permissão para falar. Elas poderão submeter as suas opiniões à secretaria posteriormente.

Presidente do comité organizador dos Jogos Olímpicos demite-se após comentários sexistas

Embora ainda não tenha havido reação à decisão do partido por parte de movimentos feministas, houve nas últimas semanas uma grande polémica devido aos comentários sexistas do presidente do comité organizador dos Jogos Olímpicos de Tóquio2020, Yoshiro Mori, durante uma reunião da liderança do organismo.

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Mori defendeu que as mulheres têm dificuldade em ser concisas, observando que os membros femininos do órgão a que preside "sabem colocar-se no seu lugar".

As declarações do responsável máximo do comité organizador da próxima edição dos Jogos Olímpicos (JO), adiada para 2021 devido à pandemia de covid-19, foram feitas durante uma reunião com o Comité Olímpico do Japão, aberta à comunicação social e reproduzidas pelo diário Asahi Shimbun.

"As reuniões dos conselhos de administração com a presença de muitas mulheres demoram demasiado tempo. Se for aumentado o número de membros femininos e o tempo de intervenção não for limitado, será mais difícil concluí-las, o que é irritante", sustentou Mori.

"As mulheres têm espírito competitivo. Se uma levanta a mão [para poder intervir], as outras sentem-se na obrigação de se exprimirem também. É por isso que todos acabaram por falar", acrescentou.

Um dia depois de ter proferido os comentários, Mori pediu desculpa e considerou-os "contrários ao espírito olímpico", mas afastou a hipótese de uma demissão imediata, que começou a ser pedida nas redes sociais.

Questionado sobre se tencionava abandonar o cargo, por causa da polémica, Mori recusou à partida essa possibilidade, mas acrescentou: "Se todos me disserem que estou a incomodar, então deverei pensar nisso".

Cerca de 400 voluntários desistiram de dar apoio aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, previstos para o verão, e o comité organizador tem recebido milhares de queixas sobre as declarações de Mori, bem como críticas de patrocinadores.

Na passada sexta-feira, Mori anunciou a demissão. "Demito-me do cargo de presidente do comité", disse.

O ex-primeiro-ministro japonês, de 83 anos, fez o anúncio numa reunião com os membros do conselho e a direção executiva do organismo responsável pela organização de Tóquio2020, convocada para discutir as consequências dos comentários de Mori e da qual também se espera uma decisão sobre o sucessor.

Na semana passada, o Comité Olímpico Internacional (COI) já tinha classificado como "absolutamente inapropriados" e contrários à política do organismo os comentários ofensivos sobre mulheres feitos por Mori.

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