Oleodutos

Hackers deixam EUA com medo de ficar sem gasolina

Hackers deixam EUA com medo de ficar sem gasolina

O ataque informático sofrido este fim de semana pela maior rede de oleodutos do país, Colonial Pipeline, está a causar o caos nos Estados Unidos. Entre as acusações de Joe Biden à Rússia, alguns estados norte-americanos já declaram emergência. O governo pede calma aos motoristas e aconselha-os a não acumular combustível. O preço médio da gasolina já atingiu esta terça-feira o valor mais alto desde novembro de 2014.

A maior parte da atividade da rede de oleodutos parou na passada sexta-feira, quando começou um ataque informático por "ransomware", através do qual um grupo de piratas informáticos - DarkSide, segundo a polícia federal (FBI, na sigla em inglês) - bloqueou o acesso aos computadores da empresa e exigiu dinheiro pelo desbloqueio. A rede transporta por dia 2,5 milhões de barris de gasolina, gasóleo e combustível de aviação, desde as refinarias do Golfo do México para o sul e o leste dos EUA.

Este ataque foi revelado pela empresa especializada em segurança informática FireEye, uma das maiores dos EUA, que informou que piratas vinculados a um governo de um país estrangeiro - as suspeitas centram-se na Federação Russa - conseguiram aceder aos seus sistemas e roubar material. Os piratas informáticos conseguiram entrar em todo o tipo de sistemas através das atualizações de um programa popular da empresa de tecnologia norte-americana SolarWinds, chamado Orion, que tanto o governo como centenas de grandes empresas usam para monitorizar redes informáticas.

Na segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, acusou o grupo DarkSide de ter ligações à Rússia, uma vez que os envolvidos e o "ransomware" estão registados no país, muito embora não existam provas por parte dos serviços de informações. Estes hackers foram detetados em 2020 e especializaram-se em ataques a grandes e médias empresas, às quais exigem centenas de milhares - milhões de dólares, inclusive - para desbloquear os seus sistemas.

Os membros da Darkside garantem não ter motivações políticas, nem laços com qualquer governo. Mas numerosos analistas suspeitam que o grupo atue em articulação com a Federação Russa. "Pensamos que opera (e até está protegido) pela Rússia", escreveu, na rede social Twitter, Dmitri Alperovitch, um perito em segurança informática, fundador da empresa Crowdstrike.

A conselheira de Biden para a cibersegurança, Anne Neuberger, considerou, durante uma conferência de imprensa na Casa Branca, que o método da Darkside era "muito perturbador". Nas suas palavras, a Darkside "essencialmente fornece um serviço" - o seu "ransomware" - a piratas informáticos, partilhando depois os ganhos, descreveu.

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A Colonial Pipeline, para proteger as suas infraestruturas, interrompeu na sexta-feira todas as operações, criando riscos para o aprovisionamento em petróleo no nordeste dos EUA. A empresa pretende reabrir a sua rede "por fases" com o objetivo de restabelecer o essencial das suas atividades até ao final da semana.

Corrida à gasolina

A situação está a criar constrangimentos nos Estados Unidos, esta semana. Os motoristas munem-se de grandes quantidades de combustível, alguns estados como a Carolina do Norte, a Virgínia e a Florida declararam estado de emergência e o preço médio da gasolina na terça-feira foi o mais alto desde novembro de 2014 (2,46 euros por cada 3,8 litros), de acordo com a Associação Automobilística Americana (AAA).

O diretor da agência de cibersegurança dos EUA, Brandon Wales, avisou na terça-feira que ataques informáticos como o sofrido este fim de semana pela maior rede de oleodutos do país "são cada vez mais sofisticados, frequentes e agressivos". Durante uma audiência perante uma Comissão do Senado, Wales indicou que está à espera que a Colonial, lhe facilite a "informação técnica adicional sobre o que sucedeu exatamente" com esta rede, que transporta 45% do combustível até à costa leste do país.

Wales avisou que os piratas informáticos dedicam "tempo e recursos para investigar, roubar e explorar as vulnerabilidades, utilizando ataques mais complexos para evitar a deteção e desenvolver novas técnicas para atacar as cadeias de fornecimento de tecnologia de informação e as comunicações".

Apesar de estes ataques visarem sobretudo o setor privado, colocam um problema de segurança nacional, acrescentou Elizabeth Sherwood-Randall, conselheira adjunta de Biden para a Segurança Nacional, na segunda-feira. "Estes acontecimentos evidenciam o facto de que as nossas infraestruturas vitais são operadas, no essencial, pelo setor privado", sublinhou. "Quando estas empresas são atacadas, elas são a nossa primeira linha de defesa. Dependemos da sua eficácia".

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