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"Índios estão a tornar-se seres humanos como nós". Bolsonaro em nova polémica

"Índios estão a tornar-se seres humanos como nós". Bolsonaro em nova polémica

Ativistas indígenas vão processar o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, por racismo, depois de este ter dito que os índios são "cada vez mais seres humanos".

Numa das habituais transmissões semanais em direto no Facebook, na quinta-feira, Bolsonaro afirmou: "Os índios estão a mudar, sem dúvida... São cada vez mais seres humanos como nós. Então, vamos fazer o índio se integrar à sociedade e realmente possuir sua terra indígena. É isso que queremos aqui".

O comentário, em consonância com outras declarações anti-indígenas do presidente brasileiro, provocou a reação imediata de ativistas que veem Bolsonaro como uma ameaça.

Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), organização não-governamental que reúne várias representações, conforme anunciado pela sua coordenadora executiva, Sonia Guajajara.

Sonia Guajajara, uma das mais importantes líderes indígenas do Brasil e coordenadora executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), organização não-governamental que reúne várias representações, vai processar o presidente pelo crime de racismo. "Nós, povos indígenas, originários desta terra, exigimos respeito! Bolsonaro mais uma vez rasga a Constituição ao negar nossa existência enquanto seres humanos. É preciso dar um basta a esse perverso!", escreveu Guajajara no Twitter.

"Indígenas sempre foram seres humanos iguais a qualquer outro. Quem, por outro lado, revela-se cada vez mais um ser humano pior é o próprio Bolsonaro", disse na mesma rede social o jornalista brasileiro Leonardo Sakamoto.

O site "Sensacionalista" respondeu com a manchete satírica: "Índios dizem que não querem se tornar humanos como Bolsonaro".

O jornal britânico "The Guardian" lembra que estas declarações são as mais recentes de uma sucessão de comentários discriminatórios de Bolsonaro, que já se declarou homofóbico e insultou comunidades afro-brasileiras e indígenas.

Na década de 1990, Bolsonaro, então um congressista pouco conhecido, lamentou publicamente como as tropas não conseguiram aniquilar as comunidades indígenas brasileiras.

"A cavalaria norte-americana foi competente porque dizimou o seu povo indígena no passado e hoje não tem esse problema no país", afirmou, criticando a quantidade de terra reservada para os povos indígenas do Brasil.

O chefe de Estado brasileiro já manifestou a sua intenção de promover um projeto para legalizar a mineração e atividades agrícolas em larga escala dentro de terras indígenas, atualmente protegidas por lei.

Bolsonaro tem sido o centro de várias críticas de associações indígenas e organizações internacionais por suas ideias e políticas para o meio ambiente, que contrariam lideranças indígenas.

Líderes de 45 grupos étnicos indígenas no Brasil assinaram na semana passada um manifesto no qual denunciavam que o Governo brasileiro lançou um "projeto político de genocídio" contra os povos nativos do país e os habitantes da Amazónia.

A reunião foi liderada pelo chefe Raoni Metuktire, defensor histórico dos direitos dos povos indígenas e quem Bolsonaro acusou, antes da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), no ano passado, de ser "usado por poderes estrangeiros "que pretendiam dominar a Amazónia.

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