Violência

Homem morre em protesto dos "coletes amarelos" em França

Homem morre em protesto dos "coletes amarelos" em França

Um automobilista morreu na noite de sábado na cidade de Arles, no sul de França, num dos protestos improvisados pelo movimento dos "coletes amarelos".

A notícia está a ser avançada por vários órgãos de comunicação social franceses. "Este acidente está diretamente ligado a um protesto dos coletes amarelos que provocou um gigantesco engarrafamento de 10 quilómetros. Uma carrinha embateu de frente contra um camião antes de ser também abalroada por outro veículo", adiantou à comunicação social o procurador daquela cidade francesa, Patrick Desjardins. A vítima era o condutor da carrinha.

O veículo pesado avançou "vários metros" após o choque e o seu motorista foi hospitalizado com ferimentos ligeiros, disse o procurador.

"O engarrafamento durou várias horas e parece que os veículos pesados que estavam à espera, apagaram o fogo", disse Desjardins.

Em Paris, a violência dos protestos provocou ainda 133 feridos e 412 pessoas foram detidas. Entre os feridos, 23 são polícias, detalhou a sede da polícia de Paris.

Durante todo o dia de sábado, Paris foi palco de grande violência urbana no oeste e no centro da capital francesa durante a manifestação dos "coletes amarelos".

Reunião de emergência

O presidente francês, Emmanuel Macron, convocou para este domingo uma reunião de emergência do executivo ao mais alto nível para discutir os incidentes de sábado em Paris durante a manifestação dos "coletes amarelos", que já se tornou uma crise política de grandes proporções.

Macron deverá chegou ao país no final da manhã da Argentina, onde participou na cimeira do G20, e vai reunir-se com o primeiro-ministro, Edouard Philippe, com o ministro do Interior, Christophe Castaner, e "os serviços competentes" para tentar encontrar uma resposta ao movimento que já está fora do controlo.

O presidente visitou o Arco do Triunfo, em Paris, para observar os danos sofridos pelo monumento, que foi alvo, no sábado, de atos de vandalismo durante os protestos dos "coletes amarelos".

O Chefe de Estado, acompanhado pelo ministro do Interior, Christophe Castaner, prestou homenagem ao túmulo do soldado desconhecido, que representa todos os franceses mortos na I Guerra Mundial (1914-1918), que os manifestantes sujaram e onde deixaram latas de cerveja e outros objetos.

A Comissão Legislativa do Senado francês vai ouvir na terça-feira o ministro e secretário de Estado do Interior Christophe Castaner e Laurent Nuñez, respetivamente, sobre "os motins e ataques contra as forças de segurança e atos de vandalismo e destruição" durante as manifestações dos "coletes amarelos", lê-se num comunicado divulgado hoje pela câmara alta do Parlamento francês, informa a agência France-Presse.

A comissão senatorial ouvirá as explicações do ministro do Interior, e do seu secretário de Estado, "sobre os meios postos em prática para fazer face aos protestos".

Esta audiência incidirá também sobre "as novas disposições que devem ser tomadas para prevenir a recorrência e agravamento destas condições de extrema gravidade, sem infringir o direito constitucional dos franceses de expressar os seus pontos de vista e descontentamento com manifestações não violentas".

Protesto contra a taxação de combustíveis

O movimento de "coletes amarelos" nasceu espontaneamente num sinal de protesto contra a taxação de combustíveis em França.

As ações de contestação estão a causar grande embaraço ao Governo francês, tendo corrido mundo as imagens dos violentos confrontos entre manifestantes vestindo coletes amarelos e a polícia, no sábado, na emblemática avenida dos Campos Elísios, em Paris.

As reivindicações dos coletes amarelos não mudaram, mesmo depois do Presidente Emmanuel Macron se ter dirigido à nação na passada terça-feira.

A grande carga de impostos, perda do poder de compra e desilusão geral com o Governo são as queixas mais comuns entre quem está a manifestar nas ruas do país.

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