Ambiente

A foto que prova o aquecimento dramático no Ártico

A foto que prova o aquecimento dramático no Ártico

O rápido degelo no mar da Gronelândia tem deixado especialistas em questões ambientais particularmente alarmados. Uma fotografia captada por elementos da Instituto Meteorológico da Dinamarca dá conta dos desafios que os cientistas enfrentam naquele local, onde as temperaturas anormalmente quentes da semana passada transformaram blocos de gelo num autêntico lago.

Todos os anos, investigadores do Instituto Meteorológico da Dinamarca (IMD) deslocam-se à região de Qaanaaq, no noroeste da Gronelândia, e, durante o inverno, instalaram vários instrumentos para medirem e controlarem o gelo marinho na região. "O projeto Steefen é realizado em colaboração com os caçadores em Qaanaaq, muitas pessoas que vivem ainda de forma tradicional nesta região", explica, ao JN, a especialista em questões climáticas Ruth Motrran.

Meses depois de os aparelhos serem colocados, antes da chegada do tempo mais quente e para evitar que o gelo esteja já derretido, os mesmos especialistas regressam ao local para recuperar os "aparelhos caros que de outra forma podem ir parar ao oceano". Este ano, a expedição, que é feita com cães puxados a trenó, foi surpreendida pela quantidade de água já existente no local, tal como demonstra a foto que se tornou popular nas várias redes sociais.

"O gelo que aqui se forma costuma ser bastante espesso", explica a cientista, que aponta um conjunto de justificações para explicar o acontecimento pouco comum: "Na semana passada, registaram-se temperaturas muito quentes na zona da Gronelândia e em grande parte do Ártico, impulsionadas pelo ar mais quente vindo do sul". Esta combinação de fatores contribuiu para o "derretimento de uma grande quantidade de gelo", tanto nos glaciares como no gelo marinho que por esta altura ainda costuma existir. Como o gelo é espesso e com poucas fissuras, a água não é drenada, tornando "mais difícil chegar ao local com o apoio dos cães".

Numa das estações meteorológicas do IMD, que está instalada junto do aeroporto de Qaanaaq, os termómetros chegaram aos 17.3 graus na passada quarta-feira e aos 15 graus na quinta-feira. "São valores muito elevados para esta região. Até no verão!", diz Ruth. A especialista acredita que as temperaturas anormalmente quentes nesta região vão persistir pelo menos mais alguns dias. "Espera-se um declínio geral na duração da estação que permite a formação de gelo no mar em redor da Gronelândia", diz a investigadora.