Ártico

Cientistas enterram cápsula do tempo num fiorde na Noruega

Cientistas enterram cápsula do tempo num fiorde na Noruega

Cientistas enterraram num fiorde na Noruega uma cápsula do tempo, um tubo de aço inoxidável com objetos que, dizem, retratam a ciência e a tecnologia de 2017, como amostras de ADN de humanos e um meteorito.

Um artigo da revista científica "Nature", divulgado esta sexta-feira, descreve que o tubo foi enterrado a 17 de setembro, em Hornsund, na ilha de Spitsbergen, a maior do arquipélago Svalbard, banhado pelo oceano gelado Ártico.

O tubo, enterrado a cinco metros de profundidade, pode permanecer escondido durante mais de 500 mil anos antes de surgir à superfície em resultado da erosão e da elevação geológica.

A cápsula, de pouco mais de meio metro de comprimento, foi colocada num furo fora de uso, perto da estação polar polaca, e contém vários recipientes com amostras de um fragmento de um meteorito com 4,5 mil milhões de anos, lava basáltica de uma erupção vulcânica na Islândia e areia da Namíbia com partículas de diamantes e kimberlito (rocha que contém diamantes) que, de acordo com os cientistas, documentam a geologia da Terra.

Amostras de ADN (material genético) de humanos, ratos, salmão e batatas, uma abelha preservada em resina, sementes de aveia, abóbora, milho, feijão, ervilha e girassol e cerca de 300 tardígrados, animais microscópicos conhecidos como ursos-de-água que conseguem sobreviver a radiação extrema, seca e ao calor, retratam o domínio da biologia.

Para comunicar aos futuros historiadores o estado da tecnologia atual, os investigadores colocaram no tubo aparelhos eletrónicos, como um detetor de radiação, um telemóvel e acelerómetros, um cartão de crédito, um relógio de pulso e uma fotografia da Terra tirada do espaço e reproduzida em porcelana.

Nas tampas de alguns dos recipientes, os cientistas deixaram as suas impressões digitais.

A 'mensagem' científica e tecnológica que os investigadores quiseram legar foi criada para assinalar os 60 anos da estação polar polaca, instalada no âmbito de um projeto que incluiu uma série de atividades geofísicas.

Marek Lewandowski, cientista polaco que teve a ideia e selecionou os conteúdos para a 'cápsula do tempo' depois de ouvir sugestões de dezenas de outros investigadores, crê que quem descobrir o tubo vai perceber a civilização de hoje, tal como os arqueólogos compreenderam o significado da Grande Pirâmide de Gizé, do Antigo Egito, e dos túmulos e artefactos do seu interior.