Protesto

"Coletes amarelos" ameaçam parar Portugal

"Coletes amarelos" ameaçam parar Portugal

Prometem fechar as estradas de Portugal no dia 21 de dezembro e já têm quase 40 mil seguidores no grupo que criaram no Facebook. O objetivo era paralisar a A8, mas as dez mil confirmações no grupo e a viralização das redes sociais fizeram alastrar o fenómeno a todo o país. E a PSP já os tem sob radar.

A imagem de capa não engana. É dos "coletes amarelos" em França. O mote do grupo - "Vamos parar Portugal como forma de protesto" - é semelhante ao que deu origem ao movimento que varreu a França nos últimos fins de semana. "Queremos poder de compra. Queremos impostos e combustíveis mais baixos. O IVA deveria estar a 17%", explica ao JN um dos responsáveis pelo grupo.

São seis os organizadores que, há pouco mais de três semanas, criaram o evento sem "ligação a qualquer partido político e de forma independente". Vivem na Zona do Oeste, são operadores de telemarketing, pasteleiros e há até um instrutor de artes marciais. Já se conheciam, pensaram paralisar a A8 e, em poucos dias, viram a ambição crescer. "Com a adesão que temos tido, esperamos que seja em Portugal inteiro".

Assim, para além do buzinão na Ponte 25 de Abril e no Marquês, em Lisboa, para dia 21 estão pensadas manifestações no Porto (nó de Francos), no Fórum Algarve e em frente à Câmara Municipal de Beja.

Não à violência

"Criámos grupos no WhatsApp para cada uma destas localizações e há pessoas que criaram outros grupos para ajudar na divulgação". Quanto ao risco de violência, não têm medo. "Iremos fazer tudo de forma pacífica. Quem está a apelar à violência vai ser removido dos grupos".

A PSP "está a acompanhar a situação" e orientará o dispositivo de forma a garantir resposta eficaz em "todas as situações que possam surgir", garantiu fonte da corporação ao JN.

Apesar da adesão ao grupo, os organizadores estão conscientes de que o número de participantes reais pode ser diferente. "Várias pessoas cliquem no "tenho interesse" só para ir seguindo".

Também Francisco Conrado, especialista em redes sociais, da Universidade do Minho, sublinha que nem tudo o que parece na rede é. "É muito fácil indignar-se online. O ato de se revoltar ou participar de alguma forma de movimento ou protesto está à distância de um clique". Não acredita que o fenómeno francês se repita em Portugal. "Estamos a falar de um contexto económico e político muito diferente" e de um movimento sem "grande unidade".