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Espanhóis têm cada vez menos confiança na monarquia

Espanhóis têm cada vez menos confiança na monarquia

O rei Juan Carlos abdicou para o seu filho Felipe de Borbón, que assumirá as funções de chefe de Estado, naquele que é um dos piores momentos da popularidade da monarquia espanhola, tendência que se consolida desde 2011.

Nos últimos 20 anos, as sondagens feitas aos espanhóis têm demonstrado um cada vez menor grau de confiança na monarquia ainda que só desde finais de 2011 essa opinião começou a merecer 'nota negativa'.

O barómetro mais recente do Centro de Investigações Sociológicas (CIS) - principal referente em Espanha sobre as opiniões dos espanhóis em temas centrais como a política ou a economia - refere que em abril último os espanhóis davam uma nota de 3,72 (em 10) à monarquia.

Uma ligeira melhoria face aos 3,68 de abril do ano passado mas longe da aprovação de 7,46 que registava em março de 1994 desde quando tem vindo, salvo ligeiras melhorias pontuais, a cair de forma persistente.

A crise económica, o processo judicial que envolve a filha do rei, a infanta Cristina e o seu marido, Iñaki Urdangarin, a polémica safari de Juan Carlos no Botsuana e a contestação à falta de transparência da Casa Real, têm agravado a opinião dos espanhóis sobre a monarquia.

São cada vez mais os partidos e movimentos que defendem um referendo ou que, pelo menos, exigem transparência total da coroa, nomeadamente no que toca aos seus gastos, tal como ocorre com outras monarquias como a inglesa.

Analistas têm, nos últimos anos, sublinhado o crescente distanciamento entre a cidadania, especialmente a mais jovem, e a monarquia, com a sociedade dividida entre republicanos, monárquicos e 'juancarlistas', os que apoiam o atual rei mesmo não sendo monárquicos.

Oficialmente a última sondagem sobre o tema - realizada pela Metroscopia em 2013 - identificava 53% dos espanhóis como monárquicos e apenas 37% como republicanos.

O papel de Juan Carlos na transição e a própria transição estão, especialmente para os jovens, cada vez mais distantes e cerca de 60% dos espanhóis nasceram já depois da entrada em vigor da constituição.

A imprensa espanhola destaca que esse eventual decréscimo no apoio à coroa não se reflete, pelo menos para já, a nível parlamentar, já que 80% do atual parlamento apoia a monarquia.

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