O Jogo ao Vivo

Entrevista

Hillary Clinton pede à Europa que trave apoio a refugiados e provoca críticas e elogios

Hillary Clinton pede à Europa que trave apoio a refugiados e provoca críticas e elogios

A ex-secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton defendeu que a Europa deve travar a ajuda a refugiados, numa entrevista divulgada quinta-feira pelo "The Guardian", o que motivou críticas da esquerda e elogios da direita.

Os líderes europeus devem enviar uma mensagem clara de que não oferecerão mais "refúgio e apoio" a migrantes, se quiserem travar o populismo de direita, disse Hillary Clinton, numa entrevista publicada na quinta-feira pelo jornal britânico.

Horas depois, não se fizeram esperar reações, da direita e da esquerda, com defensores da imigração a mostrarem-se perplexos pelas declarações da ex-secretária de Estado de Barack Obama e líderes de direita a elogiar a perspicácia de Clinton.

Hillary Clinton disse na entrevista que a decisão de vários países de receber refugiados era "admirável" e enalteceu o espírito de abertura dos governos que procuram incluir os milhões de migrantes que procuram a Europa.

Contudo, a ex-candidata presidencial considerou que essa abertura está na base de muitos dos receios de europeus que encontram acolhimento político nos movimentos de extrema-direita.

"Eu penso que a Europa precisa de controlar a migração, porque é isso que está a acender as chamas", disse Hillary Clinton na entrevista conduzida ainda antes das eleições intercalares nos EUA, mas apenas divulgada na quinta-feira, no âmbito de um "dossiê" do "The Guardian" sobre os grandes temas da atualidade.

"Eu admiro a abordagem muito generosa e compassiva de líderes como Angela Merkel, mas penso que é justo dizer que a Europa já fez a sua parte e deve agora enviar uma mensagem clara - "não vamos continuar a dar refúgio e apoio" - porque se não lidarmos com o tema da migração ele vai contaminar a discussão política", afirmou a ex-secretária de Estado dos EUA.

"Fiquei em choque", disse Eskinder Negash, presidente e diretor executivo do Comité para os Refugiados e Imigrantes dos EUA, em reação às palavras de Hillary Clinton.

"Se ela está simplesmente a dizer que precisamos de deixar de apoiar refugiados que procuram a Europa com receio de perseguição, apenas para acalmar líderes políticos de extrema-direita, isso não é correto", conclui Negash, citado pelo jornal "The New York Times".

Tanja Bueltmann, professora de História da Universidade de Northumbria, no Reino Unido, citada por agências internacionais, também considera que a perspetiva de Clinton é "tragicamente injusta".

"Em último caso, a imigração não é um problema que inflama os eleitores: há temas mais relevantes, como a austeridade, que são a real razão", explica Bueltmann, referindo-se às causas do crescimento eleitoral de movimentos extremistas na Europa.

Nos setores ultraconservadores, a entrevista de Hillary Clinton teve uma reação bem mais positiva.

O movimento de extrema-direita Alternativa para a Alemanha, que teve importantes resultados em recentes eleições regionais e nacionais, já se congratulou com as declarações de Hillary Clinton, considerando-as "lúcidas e pertinentes", em declarações a média na Baviera.

Giorgia Meloni, líder do movimento de extrema-direita Irmãos de Itália, considerou hoje que Clinton "percebeu bem a lição", considerando que "se não controlarmos a migração vamos afetar especialmente as pessoas mais pobres, pessoas vivendo nos subúrbios, da classe trabalhadora".