Venezuela

Maduro: "Não há nenhuma crise humanitária"

Maduro: "Não há nenhuma crise humanitária"

Maduro manifestou-se disponível para se reunir com enviados do Grupo de Contacto Internacional, mas insiste: "A Venezuela não está com nenhuma crise humanitária".

"Nós rejeitamos a parcialidade" do documento do Grupo de Contacto Internacional (GCI), "mas estou pronto e disposto a receber qualquer enviado" deste bloco de países europeus e latino-americanos, disse o presidente da Venezuela, numa conferência de imprensa no palácio presidencial de Miraflores.

A declaração de Maduro surge um dia depois de o Grupo de Contacto Internacional (GCI) para a Venezuela, na sua primeira reunião, decidir enviar representantes para Caracas para se reunirem com ambas as partes no país, reconhecendo que a crise humanitária "se está a aprofundar".

Nicolás Maduro mostrou-se, no entanto, irredutível quanto ao bloqueio da ajuda humanitária internacional. "Montaram um espetáculo barato com a ajuda humanitária para humilhar os venezuelanos", declarou, no Palácio Miraflores, em Caracas.

"A Venezuela não está com nenhuma crise humanitária, fabricada por Washington para intervir no nosso país", acrescentou.

"Não vamos permitir o espetáculo da ajuda humanitária porque não somos mendigos de ninguém. É um jogo macabro", insistiu.

"Disse e volto a repetir. Na Venezuela vai impor-se a constitucionalidade, a paz. E vamos abrir o caminho para que em 2019 o objetivo seja a recuperação da economia", reiterou.

"Se vierem tropas dos Estados Unidos para a Colômbia, que fiquem lá. Podem trazer um milhão de soldados. As mulheres colombianas que tenham cuidado das violações dos soldados norte-americanos", atirou Maduro.

"Basta de prejudicarem o país. Estão do lado errado da história. A Venezuela merece carinho e amor daqueles que a amam", concluiu.

O GCI para a Venezuela, reunido quinta-feira em Montevideu, apelou ainda à realização de "eleições presidenciais livres", segundo a declaração divulgada no final dos trabalhos.

O "grupo apela à criação de uma abordagem internacional comum para apoiar uma resolução pacífica, política, democrática e integralmente venezuelana da crise, excluindo o uso da força, através de eleições presidenciais livres, transparentes e credíveis, de acordo com o Constituição venezuelana", lê-se na declaração final assinada por todos os países participantes, com exceção da Bolívia e do México.

Participaram nesta primeira reunião do GCI a União Europeia (UE), que esteve representada pela chefe da diplomacia europeia, a italiana Federica Mogherini, e por oito Estados-membros do bloco comunitário (Portugal, Espanha, Itália, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Suécia).

Do lado da América Latina, estiveram presentes a Bolívia, Costa Rica, Equador, México e Uruguai.

Portugal foi representado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando o líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou presidente da República interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro.

Guaidó, 35 anos, contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos e prometeu formar um governo de transição e organizar eleições livres.

Nicolás Maduro, 56 anos, no poder desde 2013, recusou o desafio de Guaidó e denunciou a iniciativa do presidente do parlamento como uma tentativa de golpe de Estado liderada pelos Estados Unidos.

A repressão dos protestos antigovernamentais desde 23 de janeiro provocou já 40 mortos, de acordo com várias organizações não-governamentais.

Esta crise política soma-se a uma grave crise económica e social que levou 2,3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, segundo dados da ONU.

Na Venezuela, antiga colónia espanhola, residem cerca de 300.000 portugueses ou lusodescendentes.