Suécia

"Mulher branca não deve ter cabelo afro-americano". Penteado de ministra gera polémica

"Mulher branca não deve ter cabelo afro-americano". Penteado de ministra gera polémica

A polémica estalou quando, numa foto oficial do governo Löfven II - formado a partir das eleições legislativas suecas de 2018 -, uma ministra aparece com as suas rastas loiras apanhadas em puxo ao lado dos colegas.

Com 38 anos, Amanda Lind é agora ministra da Cultura e Democracia da Suécia e dirigente do MP, partido do meio ambiente Os Verdes, que representa desde 2016. No entanto, o perfil "arrojado" da ativista, que é também amadora de jogos de representação e amante de banda desenhada, tem gerado críticas entre outros políticos, que a acusam de não ter uma personalidade adequada para o cargo.

Segundo o jornal francês "Le Monde", Amanda é também acusada de homenagear ex-ministros do seu partido, incluindo Mehmet Kaplan, responsável pela pasta da habitação e desenvolvimento urbano, que foi forçado a renunciar em abril de 2016 depois de comparar israelitas a nazis e ter aparecido ao lado de ultranacionalistas turcos.

Colegas de Amanda elogiam as suas capacidades e comprometimento. A nova ministra explicou as suas opções e até admitiu ter fumado canábis quando era jovem, algo que é considerado como crime grave na Suécia.

De todas as críticas que lhe são dirigidas, as principais continuam a ser relacionadas com o penteado. No Twitter, a política de direita Rebecca Weidmo Uvell foi uma das primeiras a reagir à nomeação, dizendo que não tinha por hábito comentar o aspeto físico das pessoas. "Como ministra, não te representas a ti. Mas a Suécia. Sobretudo num contexto internacional. E eu não acho que se deva usar tal penteado", escreveu Rebecca naquela rede social.

A polémica rapidamente se espalhou pela Internet. Amanda Lind chega mesmo a ser acusada de apropriação cultural. Num artigo do jornal sueco "Aftonbladet" , Nisrit Ghebil, um jovem artista e comunicador negro, desafiou a ministra dizendo que uma mulher branca, numa posição de poder, "não deve ter cabelo afro-americano", especialmente quando jovens negros nos Estados Unidos, por exemplo, continuam a ser expulsos das escolas por usarem o mesmo penteado.

Numa entrevista de rádio, Amanda Lind teve que se justificar. A ministra acredita que a apropriação cultural é "um importante tema de discussão" , mas não está a pensar mudar de penteado, que mantém há vinte anos. Amanda disse respeitar todas as opiniões, mesmo dos que pensam que ela está errada.

O assunto tem inspirado também os cronistas na Suécia. No diário "Dagens Nyheter", Erik Helmerson diz sentir-se ofendido com a discussão sobre o penteado da ministra, que não considera "relevante".