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Espanha

Mulher militar que acusou o chefe de assédio sexual foi despedida

Mulher militar que acusou o chefe de assédio sexual foi despedida

Uma soldado espanhola foi despedida, ao fim de dez anos de trabalho, com a justificação de sofrer de stress pós-traumático. A mulher de 38 anos, que não participou em qualquer conflito armado, tinha acusado um superior de assédio sexual.

O ministério da Defesa espanhol deu conta, no início de janeiro, da dispensa de uma soldado por alegada falta de condições psicofísicas. Segundo explica o jornal "El País", o ministério considera que a mulher, de 38 anos e identificada como Delia, que tinha contrato com a Força Aérea até 2024, não reúne as condições necessárias para continuar em funções. A militar não vai receber qualquer compensação financeira pela dispensa.

Delia foi demitida depois de ter solicitado uma licença psicológica que se estende desde 2016. Depois de passar pela avaliação de uma junta médica, foi-lhe diagnosticado "transtorno de stress pós-traumático", apesar de a mulher nunca ter participado num conflito armado ou ter sofrido qualquer acidente. Segundo o mesmo jornal, a militar pediu baixa depois de se ter queixado de ser vítima de assédio sexual por parte de um superior.

O relatório da junta médica admite que os problemas que levaram à dispensa da soldado podem estar relacionados com o alegado caso de assédio sexual, mas que não é possível estabelecer uma relação linear. Enquanto os responsáveis não conseguem relacionar o caso, a mulher vai continuar sem trabalho.

Esperava que estivessem sozinhos para a assediar

Foi no final de março, de 2016, que Delia se dirigiu à esquadra de Elche para denunciar o seu chefe. Na declaração que escreveu, a mulher explicou que começou a ser assediada mal chegou à base onde estava a prestar o serviço militar. Em 2014, e apesar das constantes queixas, colocaram-na a trabalhar sob as ordens do alegado agressor, juntamente com mais três soldados. Quando os outros companheiros terminavam as tarefas, o superior pedia para a mulher ficar mais tempo a trabalhar. Já sozinhos, o homem terá assediado a militar. Os avanços ocorriam mais de 15 vezes por mês.

O juiz do tribunal de Elche concluiu que o depoimento da soldado atendia às exigências de "verossimilidade, credibilidade e ausência de contradição". Uma das provas anexadas ao processo é uma fotografia em que o alegado agressor aparece de pénis ereto em frente da queixosa.

O caso foi depois enviado para a justiça militar. Três anos depois da queixa, o caso ainda está a aguardar julgamento. Entretanto, o alegado agressor esteve suspenso durante seis meses e em 2017 passou à reserva.