História

Notre-Dame: do berço de Paris para o mundo

Notre-Dame: do berço de Paris para o mundo

Joia do Gótico europeu e Património Mundial da Humanidade, localizada no berço de Paris - a Ilha de da Cidade (Île de la Cité) - a Catedral de Notre-Dame, o local mais visitado da Europa, é um dos principais monumentos da Cristandade e da cultura universal.

Produto de múltiplas intervenções ao longo dos séculos, resistiu às vicissitudes das convulsões, incluindo a destruição de templos pelas manifestações iconoclastas, embora tenha ficado marcada por eles. Na Revolução Francesa (iniciada em 1789), sofreu ataques a alguns elementos arquitetónicos e viu saqueados os seus tesouros artísticos.

Na Comuna de Paris (1871), as suas velhas pedras testemunharam o impacto de balas dirigidas contra os "communards" ali barricados durante a dura repressão da revolta. Consta que teria sofrido os danos de um incêndio nessa altura, mas salvou-se.

No apogeu do Gótico

Embora tenha iniciado a função religiosa em 1182, a catedral original foi edificada entre 1163 e 1345, em pleno apogeu do Gótico, segundo desenhos dos arquitetos Pierre de Montreuil e Jean de Chelles. Como grande parte dos templos - incluindo os mais destacados -, foi alvo de sucessivas alterações e acrescentos, ao sabor das inovações estéticas, em resposta a novas necessidades e sob a égide de sucessivos períodos da história da Arte.

As suas torres distintivas, com 69 metros de altura, cujos sinos repicaram a assinalar o fim das duas grandes guerras, datam do século XIII. Parece ser dessa altura o pináculo que rematava o telhado, retirado no século XVIII mas substituído em meados da centúria seguinte, com o restauro de 1844. Erigida em madeira e bronze, essa "agulha" que apontava ao céu desfez-se em fogo e fumo uma hora depois da deflagração do incêndio desta segunda-feira.

Coroações, casamentos e funerais

Executada ao gosto da gramática do Romantismo, dirigida pelos arquitetos Eugéne Viollet-le-Duc e Jean-Baptiste Lassus, a reforma do século XIX parece dever-se à renovação do interesse pelo templo decorrente da coroação de Napoleão Bonaparte (1804) e à publicação, em 1831, do romance universal de Victor Hugo "Notre-Dame de Paris" (popularizado como "O Corcunda de Notre-Dame").

Já nos finais do século XVII, no reinado de Luís XIV (o "Rei-Sol"), a catedral tinha sofrido alterações substanciais, com a destruição de alguns vitrais e a introdução do órgão e de outros elementos da gramática barroca. Tal como a reforma romântica, contribuíram para moldar indelevelmente a personalidade do templo, cujas gárgulas fantasmagóricas e rosáceas imponentes impressionam a imaginação de milhões de visitantes.

Ao longo dos séculos, a catedral foi o palco da glorificação de personagens históricas mas também de celebração de alianças entre coroas e de homenagens. Antes de Napoleão, foi ali que se fez coroar o rei Henrique IV de Inglaterra, como rei de França, em 1431. Foi ali que James V, rei da Escócia, casou com Madalena da França, em 1537.

Foi também na catedral de Notre-Dame que Joana D"Arc (heroína da Guerra dos Cem Anos, entre a França e Inglaterra, entre 1337 e 1453) foi beatificada em 1909 e que se realizaram os funerais de Estado dos presidentes Charles De Gaulle (1970), Georges Pompidou (1974) e François Mitterrand (1996) e das vítimas dos atentados de 13 de novembro de 2016.

*com agências