Resgate em Chiang Rai

Treinador encurralado na gruta da Tailândia já escapou à morte uma vez

Treinador encurralado na gruta da Tailândia já escapou à morte uma vez

Ekapol Chanthawong é o nome do treinador assistente de futebol juvenil que está preso, desde final de junho, numa gruta, na Tailândia, agora apenas com mais quatro crianças da equipa. O jovem já estudou para ser monge budista e ficou órfão depois de uma epidemia, que matou os pais e irmãos, o ter deixado em risco.

Ekapol tem 25 anos e é órfão. Em 2003, uma epidemia de doenças respiratórias assolou a Tailândia e matou os pais e o irmão de sete anos. Desde essa altura, era a tia que tomava conta dele e descreve-o como um menino triste e solitário

Algum tempo depois, Ekapol ingressou num mosteiro, durante dez anos, para estudar e ser um monge budista. Segundo refere o "The Washington Post", Ekapol teve de sair porque precisou dedicar o seu tempo a cuidar da avó doente, mas dava uma ajuda num mosteiro da região.

Foi também nessa altura que começou a trabalhar como assistente do treinador da equipa de futebol das camadas mais jovens do clube Moo Pa. Muitos dos meninos dessa equipa eram pobres, situação comum naquela área de fronteira entre Myanmar e a Tailândia, o conhecido Triângulo Dourado.

A relação com as crianças do clube Moo Pa

Ekapol e o treinador principal, Nopparat Khanthavong, criaram um sistema que permitia aos rapazes ganharem paixão pelo futebol e, ao mesmo tempo, serem bons nos estudos: se tirarem boas notas, são recompensados com equipamento desportivo.

Um dos amigos de Ekapol contou ao "The Washington Post" que "ele amava-os mais que a si mesmo" e "deu muito de si a a cada um", tratando-os como se fossem da sua família. Tanto lhes impunha rigidez com os programas de treino, como os levava a casa sempre que precisavam e responsabilizava-se por eles.

O dia que nunca mais teve fim

A 23 de junho, Nopparat avisou Ekapol que não poderia dar o treino, então, deu-lhe uma série de conselhos e pediu que levasse alguns membros das equipas mais velhas para que tomassem conta dos mais novos.

Tanto a escola como o campo de treinos ficam perto das grutas de Tham Luang. O treinador tinha aconselhado Ekapol a levar os meninos para uma zona perto, onde existem quedas de água e grutas. E assim aconteceu, mas o resultado não foi o esperado.

À noite, os pais dos membros mais velhos, que tinham um jogo a essa hora, ligaram preocupados para Nopparat para perceberem o porquê de os seus filhos ainda não terem chegado. Nopparat não sabia onde eles estavam e tentou, por isso, ligar para Ekapol, mas sem sucesso. Conseguiu apenas falar com um dos rapazes que tinha ido para casa logo após o treino e que explicou que eles tinham decidido ir depois explorar as grutas de Tham Luang.

O treinador resolveu ir até ao local para tentar encontrá-los, mas só viu algumas bicicletas e mochilas na entrada e água a escorrer.

Após a troca de cartas e comunicação entre ele, os meninos e o treinador e os socorristas, o grupo conseguiu ser localizado no dia 2 de julho, no interior da gruta, encurralados.

Até ao momento, já foram resgatados oito meninos.

O comportamento de Ekapol

As opiniões quanto ao comportamento de Ekapol como responsável por aquele grupo de 12 crianças dividem-se. Se há quem o critique por ter decidido entrar na gruta, mesmo depois de ver a placa a avisar do perigo devido às chuvas fortes que chegam com as monções desta altura do ano; também há quem esteja muito grato pela proteção dele para com as crianças.

Ekapol terá ensinado aos rapazes a meditar e a conservar o máximo de energia possível até serem encontrados. O ex-monge é o único adulto do grupo e será dos que está mais frágil porque deu aos meninos a sua parte da comida e da água que tinha levado.

A tia de Ekapol contou à CNN que o sobrinho adora as crianças da equipa e que as mães confiam nele. Disse também que Ekapol é "muito boa pessoa, adora crianças", voluntaria-se sempre para ajudar os outros e é "muito educado".

Um dos amigos de Ekapol, citado pelo "The Washington Post", diz que tem a certeza que o treinador assistente vai se culpar a si mesmo pelo que aconteceu.

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