
Tupac Shakur
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Várias publicação internacionais divulgaram, esta semana, contornos até agora desconhecidos sobre o homicídio do rapper Tupac Shakur, em 1996. O norte-americano Duane Keith Davis admitiu o envolvimento na morte, em entrevista para um documentário da Netflix.
Nascido em 1971 num bairro de Manhattan, em Nova Iorque, foi cedo que Tupac Amaru Shakur migrou para a Costa Oeste (no Estado da Califórnia), onde se fez músico e a partir de onde o seu rap de rua correu mundo. Teve uma vida cheia de vitórias e derrotas, em que o sucesso musical - atestado pelos cinco álbuns que lançou em vida e que alcançaram vendas milionárias - foram abafados por acusações de violação, problemas com droga, violência e temporadas na prisão. Vida cheia mas curta. Tupac viria a morrer em 1996, aos 25 anos, assassinado a tiro, dentro do carro.
Devido em grande parte à falta de provas oficiais, foram várias as teorias e investigações paralelas que surgiram em torno da morte de Tupac, por muitos considerado o melhor rapper de todos os tempos.
Agora, o rapper norte-americano Duane Keith Davis, conhecido pela alcunha Keefe D, revelou ter testemunhado o homicídio de Tupac, a partir do carro de onde foram disparadas as balas. A revelação foi feita pelo próprio, numa série documental originalmente distribuída nos EUA, em maio, e mais tarde comprada pela Netflix, "Unsolved: the Tupac and Biggie Murders", que se debruça sobre as investigações aos homicídios de Tupac e do também rapper Biggie, da Costa Leste, também ele morto a tiro, em 1997.
Na confissão, em que não é revelada a identidade do culpado, Keefe D garantiu ser a única pessoa viva que pode falar sobre o que aconteceu. "Era o chefe do crime em Compton (Califórnia), traficante de drogas, e sou o único que pode contar a história da morte de Tupac", assegurou no documentário, em declarações citadas pela revista britânica "NME".
"Há 20 anos que as pessoas me perseguem (...) Estava no carro de onde vieram os tiros que mataram Tupac e sei quem apertou o gatilho. Não posso nomear o atirador, porque esse é o código das ruas", continuou. "Digo agora a verdade porque tenho cancro e não tenho mais nada a perder. O que me importa agora é a verdade", disse, explicando que a doença lhe concede imunidade no processo.
"Há elementos que são questionáveis, mas é certo que o Keffe D e os Southside Crips mataram o Tupac. E é chocante que o Keffe D não esteja na prisão", disse o criador do documentário, Kyle Long, em entrevista ao site norte-americano "The Wrap", em maio, a quem confirmou a questão da imunidade.
Recuemos à noite de sete de setembro de 1996, Shakur tinha acabado de sair do hotel casino MGM Grand Las Vegas, onde tinha assistido a uma luta de boxe entre Mike Tyson e Bruce Seldon. À saída, envolveu-se numa discussão seguida de agressão com um membro do gangue "Southside Crips", do qual o entrevistado fazia parte.
Mais tarde, e depois de tomar conhecimento do sucedido, o grupo terá decidido ir ao encontro de Tupac, acabando por segui-lo de carro. Keefe D ia no banco de pendura do Cadillac, ao lado de Terrence Brown. Atrás, iam DeAndre Smith e Orlando Anderson, o elemento que se envolveu na cena de pancadaria. Quando encontraram o BMW em que Tupac seguia, ao lado do empresário Suge Knight (também ele suspeito em algumas teorias sobre o homicídio), aproveitaram um semáforo vermelho para pararem ao lado do carro, contou Davis. Tupac foi atingido por várias balas e morreu no hospital seis dias depois.
Após a morte, o corpo de Shakur foi cremado. No cumprimento daquele que era o desejo do rapper, as cinzas viriam a ser misturadas com marijuana e fumadas pelos elementos do grupo Outlawz, a que o músico pertencia.
