França

Tensão entre "coletes amarelos" e a polícia, mas menos manifestantes

Tensão entre "coletes amarelos" e a polícia, mas menos manifestantes

Mais um sábado de tensão em Paris entre "coletes amarelos" e a polícia, nos Campos Elísios. Governo fala em 66 mil manifestantes no país todo e 2500 na capital. Pelo menos 157 foram detidos e cinco ficaram feridos.

Menos manifestantes, menos danos e menos detidos é o balanço da quinto protesto dos coletes amarelos em Paris, mas a rejeição das medidas apresentadas por Macron continua e quem saiu à rua mostra-se cada vez mais politizado.

As autoridades, que destacaram oito mil agentes e 14 veículos blindados, contabilizaram cerca de 66 mil manifestantes em toda a França e 2500 em Paris. Até às 18 horas, as forças de segurança tinham detido 157 pessoas e registado cinco feridos ligeiros na capital. A polícia tentou enquadrar mais os manifestantes, encaminhando-os para perímetros mais limitados e não permitindo movimentações em grupo.

As contendas surgiram à tarde entre a polícia e manifestantes reunidos perto da Avenida dos Campos Elísios, que se tornou um epicentro de mobilização de "coletes amarelos" desde 17 de novembro, num movimento inédito, lançado nas redes sociais contra o aumento de impostos.

As forças de segurança, cercadas, assobiadas e às vezes apedrejadas, responderam com tiros de balas de defesa e granadas de gás lacrimogéneo para repelir "coletes amarelos". Garrafas e pedras da calçada foram atiradas contra as forças de segurança, mas a situação permaneceu contida, longe dos confrontos violentos observados nos dois últimos fins de semana na mesma área.

"Mesmo se, durante o período festivo do Natal e do Ano Novo, o movimento recuar um pouco em termos de presença aqui em Paris, penso que o desespero que eles exprimiram vai durar porque é profundo. É um descontentamento que dura há muito e não vai parar por aqui", disse Danielle, reformada e membro da CGT - uma das mais importantes centrais sindicais em França - à agência Lusa.

Esta foi a primeira vez que a CGT se juntou aos manifestantes e, ao mesmo tempo, um outro encontro foi organizado pelo partido de extrema-esquerda La France Insoumise (A França Insubmissa), perto de Saint Lazare. Com tantos apelos ao mesmo tempo, os coletes amarelos acabaram por espalhar-se por diversos pontos emblemáticos da cidade, sem mostrar a mesma força dos últimos sábados nos Campos Elísios.

"É preciso que sejamos cada vez mais politizados e não podemos aceitar as medidas que foram avançadas pelo Governo, porque não são nada. Trata-se só de mentiras", disse ainda Eugenie. Durante toda a jornada, os coletes amarelos têm vindo a pedir medidas adicionais ao Presidente, mas também a sua demissão e a introdução da possibilidade de um referendo de iniciativa cidadã.

"Acho que Macron não pode contentar toda a gente e já descemos demasiado para que o Governo possa agir. E agora, têm de aceitar que haja um referendo para votar as leis e medidas excepcionais. Não há outra maneira de fazer as coisas a não ser tirar-lhes o poder. Estamos agora a assinar várias petições para pedir o direito ao referendo de iniciativa cidadã", afirmou Laure, colete amarelo vinda de Cergy-Pontoise, a 30 quilómetros da capital.

Ao mesmo tempo, a vida em Paris decorria dentro de uma certa normalidade. Com os grandes armazéns e algumas lojas abertas, os franceses continuavam as suas compras de Natal entre as manifestações. David não teve receio de vir a Paris com a família para aproveitar um dos últimos fins de semana antes do Natal.

Com a chuva intensa e as temperaturas a rondarem os zero graus durante todo o dia, a maior parte dos manifestantes vindos de fora da capital começaram a regressar às suas casas depois da hora de almoço, deixando os protestos maioritariamente a cargo de grupos de jovens vestidos de negro, com cara tapada e sem colete amarelo à vista, como já tem sido habitual.

Este quinto sábado de mobilização dos "coletes amarelos" foi um teste para o presidente francês, Emmanuel Macron, que havia lançado na sexta-feira um apelo para um regresso à "calma", "ordem" e "operação normal" do país.