EUA

Trump ignorou avisos de assessores para não felicitar Putin por reeleição

Trump ignorou avisos de assessores para não felicitar Putin por reeleição

O presidente norte-americano, Donald Trump, ignorou as recomendações dos seus assessores para a segurança nacional para não felicitar Vladimir Putin pela sua reeleição como chefe de Estado russo.

Segundo o jornal "The Washington Post", funcionários da Casa Branca que tiveram acesso à chamada telefónica, na segunda-feira, entre Trump e Putin, revelaram que o documento preparatório desta conversa, elaborada pelos assessores para a segurança nacional, tinha em letras maiúsculas: "Não felicitar".

Além disso, a equipa também tinha incentivado Trump a abordar com Putin o recente ataque a um ex-espião russo e à sua filha, em Inglaterra, algo que o presidente norte-americano também ignorou.

Em declarações aos jornalistas, na segunda-feira, Trump descreveu a "muito boa chamada [telefónica]" que manteve com o líder do Kremlin: "Falei por telefone com o presidente Putin e felicitei-o pela sua vitória, a sua vitória eleitoral", disse.

"A chamada teve a ver também com o facto de que provavelmente vamos reunir-nos num futuro não muito distante para que possamos falar sobre armamento", acrescentou o presidente dos EUA.

A felicitação a Putin motivou novas críticas a Trump, como a do senador republicano e antigo candidato presidencial, John McCain. A felicitação é "um insulto a cada cidadão russo que viu negado o seu direito de votar numas eleições livres e justas", defendeu. "Um presidente norte-americano não lidera o mundo livre felicitando ditadores", condenou.

O Kremlin (Presidência russa) também confirmou na segunda-feira que o presidente dos Estados Unidos tinha felicitado por telefone Vladimir Putin pela sua reeleição nas eleições presidências de domingo passado e que os dois líderes tinham abordado a possível realização de um encontro ao mais alto nível e a coordenação de esforços entre Washington e Moscovo para "limitar a corrida ao armamento".

"Em termos gerais, a conversa foi construtiva (...), focada na resolução de problemas acumulados no contexto das relações russo-americanas", referiu o Kremlin.

Putin e Trump encontraram-se pela última vez em novembro passado, à margem da cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), que decorreu na cidade vietnamita de Danang.

Ainda sobre a conversa telefónica desta segunda-feira, o Kremlin esclareceu que os dois líderes não conversaram sobre o caso do envenenamento do ex-agente duplo russo Sergey Skiripal Skripal e a sua filha, Yulia, com um agente neurotóxico em solo britânico, cuja responsabilidade está a ser atribuída a Moscovo.

Vladimir Putin foi reeleito Presidente da Rússia no domingo passado com 76,67% dos votos.