EUA

Invasores do Capitólio terão feito visitas de reconhecimento com republicanos

Invasores do Capitólio terão feito visitas de reconhecimento com republicanos

Uma semana após a violenta invasão ao Capitólio dos EUA por apoiantes de Donald Trump, as detenções por participação no assalto têm aumentado, numa altura em que os congressistas democratas levantam suspeitas sobre o envolvimento de alguns republicanos e pedem uma investigação às visitas recebidas na Casa dos Representantes um dia antes.

Na última terça-feira, o FBI dava conta que mais de 70 pessoas já tinham sido indiciadas pela invasão ao Capitólio e que já tinham sido abertos mais de 170 processos relativos ao motim. Desde 6 janeiro, o FBI recebeu "mais de 100 mil registos digitais" para ajudar a identificar os infratores, prevendo a detenção e indiciação de centenas deles. "Isto é apenas o início. Não é o fim", dizia o procurador-geral interino do Distrito de Columbia, Michael Sherwin, em conferência de imprensa.

As detenções contínuas e a promessa do FBI de que mais aconteceriam surgem depois das suspeitas levantadas por democratas de que alguns republicanos tinham feito visitas de "reconhecimento" pelo Capitólio a pessoas de fora.

Num direto no Facebook, a congressista de Nova Jersey Mikie Sherrill disse ter visto "passar membros do Congresso com grupos, no Capitólio, a 5 de janeiro, para reconhecimento [do local] para o dia seguinte", acusando os republicanos de incitarem à invasão da instituição. "Vou garantir que sejam responsabilizados", acrescentou.

Liderados por Mikie Sherrill, uma ex-piloto da Marinha, mais de 30 congressistas pediram, quarta-feira, uma investigação ao acesso de visitantes ao Capitólio no dia anterior à invasão. Muitos destes congressistas serviram nas forças armadas e dizem ter sido treinados para "reconhecer atividades suspeitas".

Querem respostas relativamente àquilo que descrevem como um "número extremamente alto de grupos externos" deixados entrar no Capitólio a 5 de janeiro, numa altura em que as visitas estão restritas devido à pandemia, conta o diário "The New York Times".

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A Polícia do Capitólio também já disse estar a abrir um inquérito potencialmente amplo às violações de segurança relacionadas com a invasão.

Os arguidos

Entre os invasores já indiciados, surgem os nomes das caras mais facilmente reconhecíveis durante o assalto ao Capitólio, na tarde em que o Congresso ia ratificar o resultado das eleições presidenciais, a favor de Joe Biden.

Richard Barnett, de 60 anos, fotografado à secretária da presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nanci Pelosi, e detido logo a 8 de janeiro no Arkansas, é um desses arguidos.

Também o autodenominado "QAnon Shaman", do movimento conspiracionista QAnon, foi detido a 9 de janeiro e permanece em prisão preventiva. Jacob Chansley, de 33 anos, do Arizona, apareceu no Capitólio vestido com traje de xamã.

Esta quarta-feira de manhã, um homem que usava uma camisola durante o assalto a dizer "Campo de Auschwitz", numa mensagem anti-semita, foi detido na Virgínia, depois de a sua imagem ter sido amplamente partilhada nas redes sociais. Segundo a CNN, o homem identificado como Robert Packer, tinha 56 anos e seria presente a tribunal naquela mesma tarde.

Na Florida, também um bombeiro foi preso, tal como o homem fotografado a carregar um púlpito no Capitólio.

Na última terça-feira, Aaron Mostofsky, de 34 anos, filho de um importante juiz de Nova Iorque, foi detido em Brooklyn, indiciado por furto de propriedade do estado - um colete policial à prova de balas e um escudo antimotim. Foi libertado sob uma fiança de 100 mil dólares (cerca de 82 mil euros). Aaron Mosofsky tinha chamado a atenção durante a invasão por usar peles de animais e um cajado de madeira e por ter sido captado a usar o colete e o escudo da polícia.

Pelo menos uma mulher do Massachusetts identificou três familiares - a mãe, um tio e uma tia - no dia anterior em Washington, levantando a suspeita sobre se teriam participado no motim, diz o "The Guardian".

O FBI tem estado a alertar para a potencial existência de protestos armados e atos de violência em todas as 50 capitais de estado dos EUA, antes da tomada de posse do presidente eleito Joe Biden. Os estados já estão a tomar medidas para aumentar a segurança nestas cidades.

Ainda na terça-feira, um elemento do grupo de extrema-direita Proud Boys, Eduard Florea, foi detido no bairro de Queens, em Nova Iorque, por tentar organizar uma caravana armada para viajar a Washington.

Segurança reforçada para a tomada de posse

O centro de Washington foi fechado, esta quarta-feira, com barreiras de betão a bloquear avenidas, polícias nas esquinas e militares da Guarda Nacional armados a patrulhar o Capitólio. Lá dentro, ao mesmo tempo, a Câmara dos Representantes discutia e aprovava a instauração do segundo processo de "impeachment" (destituição) ao presidente cessante Donald Trump, por incitar os seus apoiantes à insurreição no Capitólio.

Nessa manhã, centenas de soldados da Guarda Nacional tinham sido fotografados a dormir com as armas ao lado no chão de pedra do Capitólio, onde passaram a noite.

Pelo menos 15 mil militares desta força são esperados estes dias em Washington, num reforço da segurança da capital para a tomada de posse de Biden, a 20 de janeiro. É mais do que o número total de tropas americanas oficialmente enviadas para o Iraque e o Afeganistão, nas contas da agência de notícias "AFP".

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