Luanda Leaks

Investigação internacional desvenda segredos da fortuna de Isabel dos Santos

Investigação internacional desvenda segredos da fortuna de Isabel dos Santos

Uma investigação de dezenas de meios de comunicação internacionais revelou, este domingo, informações que permitirão compreender a ascensão de Isabel dos Santos e a fortuna que acumulou. Dizem ter provas de operações financeiras pouco claras e que terão passado por Portugal. A empresária reagiu no Twitter, garantindo que se trata de mentira.

Os 715 mil ficheiros (batizados como "Luanda Leaks"), que permitem traçar o percurso de Isabel dos Santos desde 1980 a 2019, foram fornecidos ao Consórcio Internacional de Jornalistas - em parceria com 37 meios de comunicação internacionais - pela PPLAAF, uma plataforma de proteção de denunciantes em África, com base em Paris.

"O conjunto inclui emails, memorandos internos de empresas de Isabel dos Santos, contratos, relatórios de consultoria, declarações fiscais, auditorias privadas e vídeos de reuniões de negócios", explica o jornal "Expresso", parte do consórcio internacional que trabalhou neste caso. Os documentos remontam a 1980, mas têm como foco principal a última década.

A investigação contraria a tese amplamente divulgada de Isabel dos Santos de que é uma empreendedora, revelando que a filha do ex-presidente de Angola terá gozado de proteção do pai e que, juntamente com o marido, Sindika Dokolo, explorou "vazios legais ou zonas cinzentas da legislação para ampliar a sua fortuna e proteger os seus ativos das autoridades fiscais e de outras entidades", explica o jornal "Expresso", que faz parte do consórcio internacional que trabalhou neste caso.

Durante a investigação foram identificadas mais de 400 empresas (e respetivas subsidiárias) a que Isabel dos Santos esteve ligada nas últimas três décadas, incluindo 155 sociedades portuguesas e 99 angolanas.

Um dos casos a que a investigação dá amplo destaque é à transferência de 115 milhões de dólares da Sonangol, empresa de que Isabel dos Santos foi presidente, para o Dubai. A transação terá sido justificada com pagamento de serviços de consultoria e teve como destino uma conta bancária de uma companhia offshore, a Matter Business Solutions, com várias pessoas próximas de Isabel dos Santos nos cargos dirigentes.

Os documentos revelam ainda que, em menos de 24 horas, a conta da Sonangol no Eurobic Lisboa, banco de que Isabel dos Santos é a principal acionista, foi esvaziada e ficou com saldo negativo no dia seguinte à demissão da empresária.

Isabel dos Santos reagiu à investigação no Twitter, garantindo que os documentos em que se baseia são falsos. Volta a referir, em inglês, que se trata de um ataque político "em coordenação com o 'Governo Angolano'. 715 mil documentos lidos? Quem acredita nisso?".

"A minha 'fortuna' nasceu com meu caracter, minha inteligência, educação, capacidade de trabalho, perseverança. Hoje com tristeza continuo a ver o "racismo" e "preconceito"da Sic-Expresso, fazendo recordar a era das 'colônias' em que nenhum Áfricano pode valer o mesmo que um "Europeu"", escreveu mensagem poucos minutos antes.

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