Liberdade de Imprensa

Jornal chinês acusa "alguns portugueses" de "complexo de suserano" sobre Macau

Jornal chinês acusa "alguns portugueses" de "complexo de suserano" sobre Macau

Um jornal oficial do Partido Comunista Chinês acusou hoje "alguns portugueses" de terem "complexo de suserano", na sequência das críticas sobre a diretiva que exige uma linha editorial patriótica na TDM - Teledifusão de Macau.

"Os assuntos de Hong Kong são assuntos internos da China. Macau, obviamente, não é exceção", escreveu o Global Times, jornal de língua inglesa do grupo do Diário do Povo, o órgão central do Partido Comunista Chinês.

"Alguns portugueses, no entanto, ainda parecem ter um complexo de suserano", acusou.

O jornal recorda que, após terem sido transmitidas diretrizes aos jornalistas da TDM, proibindo-os de divulgar informações contrárias às políticas da China, o Ministro dos Negócios Estrangeiros português afirmou que a Declaração Conjunta Sino-Portuguesa é vinculativa, 150 jornalistas portugueses assinaram uma carta aberta em apoio aos meios de comunicação de Macau e alguns políticos questionaram o Governo português sobre o que pretende fazer em relação à China.

O jornal aponta ainda a demissão de jornalistas portugueses no serviço de rádio em língua portuguesa da emissora pública de Macau e a posição do deputado pró-democracia Sulu Sou, que defendeu a autonomia dos meios de comunicação da região semiautónoma chinesa.

"Todo este tipo de operações familiares faz as pessoas pensar que se trata do Reino Unido", acusou o jornal, referindo-se às medidas britânicas face à crescente influência do regime chinês em Hong Kong.

"Alguns analistas, porém, puseram água na fervura, lembrando que Portugal é apenas um pobre colono, sem capacidade para fazer a diferença", afirmou o Global Times.

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A posição do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, que disse que o Governo português "espera e conta" que a China cumpra a Lei Básica de Macau, "é tudo o que Portugal" pode fazer, segundo o jornal.

A transferência da administração de Macau ocorreu no final de 1999, pouco mais de dois anos depois de a China ter recuperado a soberania sobre a antiga colónia britânica de Hong Kong.

Na lei básica de Macau, miniconstituição do território que deverá estar em vigor até 2049, lê-se que "os residentes de Macau gozam da liberdade de expressão, de imprensa, de edição, de associação, de reunião, de desfile e de manifestação".

As duas regiões têm autonomia em todas as áreas, exceto na diplomacia e na defesa.

A 10 de março, foram transmitidas diretrizes aos jornalistas da TDM, proibindo-os de divulgar informações contrárias às políticas da China e instando-os a aderir ao "princípio do patriotismo" e do "amor a Macau".

As orientações foram criticadas nos dias seguintes pela Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau (AIPIM) e o Sindicato de Jornalistas de Portugal, assim como pela Associação de Jornalistas de Macau, que representa repórteres dos 'media' de língua chinesa.

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